quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Diário de minha viagem à Amazônia em dezembro de 2011.






Sem palavras...A Amazônia é um tesouro da humanidade. Precisamos ajoelhar-nos diante DELA.






Santos, 22 de dezembro de 2011.

 Começa minha viagem.  Saí de Santos pela Translitoral às 15:00 horas.  Saquei minha máquina e comecei a clicar. Comecei pela Serra do Mar e depois cliquei poesia que percebi pela cidade de São Paulo. Havia começado minha viagem...




São Paulo, 22 de dezembro de 2011.

Bem, estou aqui no portão de embarque aguardando a chamada do voo 3750 da TAM para Manaus.

Estou tão cansada que não estou sentindo muito as coisas.  Há muita gente ao meu redor, pessoas falando alto ao celular, o alto falante que também não para de anunciar os diferentes voos.

Opa!  Chamaram meu voo 3750 das 20h45min.  Na realidade, ia no das 23h00min, mas o pessoal da TAM me sugeriu que eu antecipasse meu voo.  Sem dúvida, era o óbvio.  Porém, confesso que passou na minha cabeça se eu não estava assinando uma sentença de morte ou me livrando de uma.  É difícil saber nessas horas.  Bem, resolvi não pensar muito supersticiosamente.


Hoje já é dia 23 de dezembro.  Minha viagem foi ótima.  Dormi muito, muito. Acordei praticamente só em Manaus.  Deixei a cidade de São Paulo em meio a um mar imenso de luzes para avistar de cima um clarão que indicava civilização no meio da escuridão da selva. Ali estava Manaus, 26 graus C, o capitão anunciou.  Será? O bafo quente foi gritante.  Talvez ele tenha dito isso para os visitantes não sofrerem por antecipação!



Ah!  No avião conheci a Vitor, um jovem amazonense que está vivendo desde janeiro de 2011 em São Paulo. Conversamos uns 15 minutos e ele me disse que sente muita falta de tudo vivendo em São Paulo:  da família, da região, das comidas, do não sei quê...Sei o que é isso, e só nos damos conta do que é importante pra gente quando nos ausentamos.  Aí entra a saudade do não sei o quê..Trocamos e-mails e marcamos de nos encontrar hoje por volta das 18 horas.  Bem, vamos ver se o encontro acontecerá.  Seria legal, pois ele também quer fazer uns passeios turísticos. Vejamos...


Essa foto dele foi tirada no meio de uma turbulência.  Não sou tão má fotógrafa assim. É que estava com tanto sono que não quis esperar uma ocasião melhor para tirar outra foto.  Vai ser essa mesmo.  Desculpem-me.


Sempre deixo tudo à Vida.  Encontramos as pessoas que temos que encontrar na hora que temos que encontrar, penso. Acredito muito nessa sincronicidade da vida. Se esperarmos e deixarmos as coisas acontecerem na hora que tiverem que acontecer, até a morte virá de mansinho e nos avisará.  Conexão -  creio que seja a palavra.  Acho que foi essa necessidade que me trouxe para a região da Selva Amazônica.

Bem, voltando ao aeroporto.  Lá entrei em uma agência de turismo, conheci a Regina, funcionária simpática, inteligente, conhecedora da região e que me passou informações importantes.  Depois...
Aproximei-me de um guarda que estava conversando com um homem e perguntei-lhe sobre táxis.  Esse homem me disse que havia ido lá para apanhar um passageiro e que o tal passageiro não havia aparecido, mas que ele poderia levar-me.  Aí começou a confusão.  O chefe dos taxistas que mais  parecia lutador de jiu-jitsu, apareceu dando uma bronca nesse homem.  Ficava evidente que ele queria lutar.  Outros taxistas, então, tentaram acalmá-lo e eu observava tudo como se estivesse em câmera lenta.  Estava muito cansada.  Assim foi minha chegada a Manaus, cujo nome está no plural.  Acho que é isso mesmo, representa o Brasil, essa diversidade.

O próximo taxista da fila era o Sr. Paulo, para minha sorte.  Ele foi extremamente gentil e paciente. Ajudou-me a encontrar um hotel que não tivesse baratas, cucarachas, cockroaches! (em todas as línguas, para mim, elas são horripilantes!!!).  Por pura ignorância, imaginava que as “nossas amigas” fossem abundantes nessa região, devido ao calor e umidade. Estava equivocada. Que bom!

Foi engraçado até, pois além de contar-lhe do meu pânico de BARATAS, contei-lhe também do caso que tinha que resolver com um suposto dono de agência turística que havia lançado um pacote de viagem de Manaus para a Venezuela com saída no dia 25 de dezembro e retorno no dia 5 de janeiro de 2012. Tanto eu como uma amiga minha e seu filho haviam feito um depósito na sua conta particular e ele havia cancelado a viagem com menos de uma semana. Os motivos do cancelamento foram pouco convincentes. Alegou que seus passageiros haviam sido desviados pelo pessoal do site que ele havia contratado para divulgar a tal da viagem. Nem precisei continuar a história. Pengutei-lhe se conhecia o tal do senhor Joaquim Bezerra e ele me disse que não, mas conhecia o hotel 10 de Julho, onde dizia o senhor Joaquim, que sua agência se localizava. Até então, lhe disse que não sabia que tipo de homem ele era e que iria averiguar no dia seguinte.


Eu lhe disse também que havia feito um depósito de R$ 800,00 e minha amiga de R$ 2.100,00, valores esses que o senhor Joaquim não nos disse quando iria nos devolvê-los.   Disse-lhe também que estava disposta a trocar por passeios.  


Senhor Paulo, envergonhado do incidente do lutador de jiu-jitsu no aeroporto e indignado com minha história, passou uma hora em busca comigo de um hotel bonzinho, limpo, econômico e sem BARATAS.  Gostei da honestidade do primeiro hotel.  O rapaz nos disse que ELAS costumavam aparecer, pois o hotel era antigo.


O terceiro hotel a visitar foi o SAFARI, aqui no centro também.  Adorei os recepcionistas.  Deram-me desconto de 50% na primeira noite, já que já eram 2 da manhã. Bem-humorados, mostraram-me o apartamento e decidi por esse.  Aliás, recomendo o SAFARI. É limpo, serviço ótimo, café da manhã muito bom e feito com carinho, acima de tudo. Faz toda a diferença.  Ah! E a localização é excelente para visitar o Teatro Amazonas.  Fica ao lado.  
Aí estão as fotos do Wesley e do Marcos.  Parabéns, meninos!




















Fui a penúltima hóspede a tomar o café da manhã.  Dormi muito e muito bem.  O ar estava geladinho.  O apartamento é simples, mas tem um preço justo, R$100,00 a diária para o casal.










Quando cheguei para tomar o café, as atendentes estavam fazendo a troca de presentes de amigo secreto, mas não deixaram de me atender super bem.  A chefe delas, a Shirleine, perguntou-me se eu queria tapioca, suco de cajá geladinho e um bolo de coco que ela havia acabado de assar.  Senti-me como se estivesse na casa de uma avó.  Lá se foi o meu conceito da contagem de pontos do vigilantes do peso.  Não pude resistir... A mesa estava posta com tanto carinho..Bem, hoje só comerei frutas.  Conto com a sauna natural também.  Agora que a chuva parou, eu posso sair e já estou pingando.








A filha da Shirleine acabou de me dar um presente, um desenho que ela fez para mim, escrito assim: JUSUS te ama. ( Que bom!! Creio que sim. Tão linda ela. Adoro crianças inocentes.  Hoje é tão raro...)


Ah! Conheci também no café a última hóspede a tomar o café da manhã.  Seu nome é Dra. Josymar A. Bacry e é médica dermatologista que está abrindo também um hotel em Santarém no Pará.  Disse-me que esse hotel é sua atual casa de 3 andares que está sendo toda reformada.  Esse será meu próximo destino!


Agora tenho que ir desbravar o centro e tentar encontrar o senhor Joaquim, o suposto dono da agência.  Quero negociar com ele amigavelmente a reposição do meu depósito de R$ 800,00. Aceitarei passeios turísticos em troca.


Disseram-me que existe também uma Polícia do Turismo (POLITUR) aqui em Manaus.  Vamos ver...Espero que tudo seja resolvido harmoniosamente.


Até mais...


Assim que cheguei no hotel 10 de Julho, perguntei se alguém conhecia o sr. Joaquim e me disseram queele estava lá dentro do hotel, na agência de turismo Backpackers.  Assim que o vi, apresentei-me a ele e me disse que naquele instante mesmo ía me escrever.  Resumindo tudo, acertamos alguns passeios e assim espero que ele cumpra com sua palavra.


Aí está a foto do sr. Joaquim Bezerra.  Na realidade ele trabalha para essa agência Backpackers. Disse que sua agência fica no seu apartamento.  Não havia sido isso que ele havia me dito quando da compra do pacote para a Venezuela.








Havíamos marcado para nos encontrarmos hoje, 23 de dezembro, às 17 horas, aqui no hotel 10 de Julho.  Ele não estava.  Estava sim seu filho, um rapazinho um tanto arrogante, metido a esperto da selva.  Não gostei da vibe dele.  Quando lhe perguntei se havia muitas araras na selva, ele me disse que a Amazônia não era um zoológico.  Compreendo seu tédio quanto à ignorância das pessoas, porém, eu havia sido humilde com ele.  Ele que vive do turismo, deveria ser mais paciente.  Apenas respondi-lhe que se estivesse em São Paulo ou no Rio de Janeiro e me perguntasse sobre algo óbvio de algo dessas cidades, eu tentaria explicar-lhe de uma maneira educada, pois compreenderia que ele não teria como saber, já que não era dali.  SERMÃO!...desculpem-me.  Não resisti!

Fui almoçar no Fiorentina, em frente à praça da Polícia, aqui mesmo no centro.  A praça é muito lindinha, não posso dizer do restaurante, mas estava com muuuita fome.  O lugar é caríssimo pelo local e instalações.  Só o atendimento que fez valer.

Essas são algumas fotos da praça.














Continuei pelo centro e tirei algumas fotos de prédios e edificações históricas, bem como do famoso Teatro Amazonas, que aliás, é muito lindo.  Sua cúpula veio da Malásia. Ela certamente se destaca.



























Falei com o senhor Joaquim através do celular de seu filho querido.  Marcamos meu passeio para amanhã às 8 horas.  Vamos ver...


Fui a uma galeria, vi umas peças de artesanato e voltei finalmente para o hotel.  Tinha ficado de escrever um e-mail para o Victor para nos encontrarmos, mas infelizmente a internet do hotel não estava funcionando.  Que pena... Tentarei amanhã.


Estou em um buteco ao lado do hotel.  Estou tão cansada que não quero sair para nenhum lugar em especial.  Vou ficar por aqui mesmo e tirar algumas fotos do povo à minha volta.  Já tomei uma cerveja geladíssimaaa e estou na minha segunda.  Não sei como eles fazem, mas eles conseguem gelar a cerveja de tal maneira que ela fica maravilhosa. Quero também tomar um belo banho e ir dormir.  Já estará de bom tamanho a minha noite.  Sinto-me frustrada com a minha habilidade fotográfica.  Não deu tempo de fazer nem um mini curso.  Pena...






Essa árvore fez me lembrar que é Natal!






Esse era o nome do buteco ao lado do Safari Hotel.





Hoje, 24 de dezembro, decidi cancelar o passeio com o sr. Joaquim, pois iríamos chegar só lá para às 17:00 h.  Não faria sentido chegar tão tarde no Tropical Hotel, já que havia pago uma diária de R$ 258,00 para passar o Natal em um lugar um pouco mais especial.  Então, deveria desfrutar desse espaço, pensei.


Bem, combinei com ele de vir me buscar para me levar para o Tropical Hotel. Cobrou-me R$ 50,00 pela corrida para ser abatida do valor total.  Achei justo, já que era bastante distante.


Chegando ao hotel, comprei a ceia Natalina para também ter algo especial nessa noite.  Foi um parto para conseguir, pois já não haviam mais convites.  Fizeram um exceção para mim quando ficaram sabendo que eu estava sozinha.  Acho que ficaram com peninha de mim.  Agradeço ao pessoal responsável pelo carinho.


Fui passear pelo hotel para conhecê-lo e tirar algumas fotos.  Almocei também uma sopa para poder cear sem sentir culpa.









Vista do restaurante...lindaaa. 

Rio Negro ao fundo




Restaurante do Tropical, onde fui tomar minha sopinha!






Já estava ficando tarde.  Tinha que me arrumar para a Ceia. Antes fui ao mini shopping e lá encontrei uma pena azul linda que está compondo meu "look" indígena! Estou muito feliz.  Está sendo um Natal muito lindo.  Estou quase chorando, o que não me custa muito.  Lembrei-me de meus pais e de nossos Natais...Tudo passa mesmo nessa vida...









Parabéns para os chefes!!




Huummm...! Foi realmente delicioso.


Hoje, 25 de dezembro acordei às 6:38 da manhã com a televisão italiana falando sobre o Natal e entrevistando algumas freiras.  Havia deixado a televisão ligada, pois estava com um pouquinho de medo ontem à noite.


O hotel Tropical é muito bom, porém, esses corredores muito longos, com aquela passarela vermelha e as portas que se assemelham a caixões, acaba sendo algo fantasmagórico.  Com certeza há muitos fantasmas por aqui!!


Ontem á noite quando ía para a Ceia, desci um lance de escadas para não enfrentar o corredor kilométrico.  Vi, então, duas menininhas de mais ou menos 13 anos, magrinhas, enroladas em toalhas brancas.  Pareciam duas fantasminhas.  De fato, perguntei-lhes se eram de verdade ou fantasmas.  Queria saber de antemão! Elas riram e seu pai saiu de um dos quartos, para meu alívio, e começamos a conversar.  Era o aniversário delas e estavam comemorando no hotel.  São daqui de Manaus mesmo.  Bem, tiramos fotos juntas e me disseram que seus nomes eram:  Rai, Rayanne e Ranini, o pai.  RaRaRa me disseram.  Gostei deles.  Contaram-me que não íam participar da Ceia de Natal e que se eu quisesse me juntar a eles para um jantar regional, seria bem vinda. Ficamos de nos encontrar no café da manhã no dia seguinte.


Aí estão as fotos.  Elas me fizeram lembrar do filme "O iluminado" com Jack Nicolson, grande filme!





Dá para encarar esse corredor no meio da noite ou do dia? rs
Olha essa porta!


As gêmeas fantasminhas!!


RaRaRa ...Rai, Rayanni e Ranini.


Já são 9:30 e o café vi até às 10:00h. Não os vi até agora. Será que não eram fantasmas? rs  Vou descer até a piscina.  Then ho que fazer meu check outàs 14:00 h, mas o próximo hotel fica ao lado.  É da mesma rede.  Eu não gosto de muitas mudanças assim, mas está sendo bom para mim.  Tenho que aprender a testar novas coisas, mesmo quando já me sinta confortável.  Creio que esse meu jeito seja determinação do meu signo de Capricórnio.  Quando  gosto de algo, prefiro ficar onde estou.  Parece até contraditório, já que amo viajar e viajar...


Conheci no café uma família holandesa que não gosta de Natal.  Entendo.  Na realidade, a filhinha deles disse que gosta, mas seus pais resumiram o Natal assim:  "Para que dar tantos presentes, coisas de que ninguém precisa?"  Bem, no Brasil ainda conseguimos presentear as pessoas com coias de que elas necessitem.

Na realidade, eu os conheci porque o marido estava tentando explicar exaustivamente para o garçom que ele queria um ovo cozido e não frito.  Ele gesticulava de todas as maneiras, mas o pobre garçom não demonstrava fazer a mínima ideia do que ele queria.  Então, como havia dito que tudo bem, de maneira
 humilde, resolvi me apresentar e ajudar-lhes.  Se todos os turistas estrangeiros fossem assim.  Aliás, todos os turistas!  Há muita gente arrogante viajando, infelizmente.

Já estava indo para a piscina quando o tempo fechou.  Logo depois abriu.  Senti-me em Santos, minha cidade.  Fiquei na piscina um pouquinho.  Encontrei-me com as meninas e seu pai.  Como ele estava conversando com uma moça, resolvi não incomodá-los. Bem, ao menos, descobri que não eram fantasmas!






Olha a tempestade se formando! Eu que pensava que o calor fosse ser infernal!




Achei essa formiga um tanto diferente das que já tinha visto.  Dá pra ver? Ainda não sou fotógrafa.  Desculpem!




Quando estava levando minhas malas pelo "corredorzinho", conheci o Leonardo de Campinas.  Primeiro lhe fiz a mesma pergunta: "Você é um fantasma?"  E ele me respondeu que ainda não era.  Foi ótimo tê-lo conhecido.  Como lhe disse depois, ele não era de fato um fantasma, mas um ANJO! Ajudou-me a levar minha bagagem toda para o Parque Suítes Hotel, o hotel ao lado do Tropical.  Deixaram-no subir ao apartamento.  Foi bom porque mudei três vezes de apartamento até acertar o que tinha a vista mais bonita.  Finalmente o rapaz da recepção me deu a chave do apartamento 809, que tem uma vista lindíssima do Rio Negro.  Bem, o bom de ter ido aos outros apartamentos foi que pude tirar fotos de lá também.


Obrigada, Leonardo!










Tropical Hotel e a Selva ao fundo

    Conjunto de apartamentos da Ponta Negra, bairro de Manaus.


O Leonardo se foi, pobrecito.  Já estava cansado de tanta troca de apartamentos.  Fui então, tirar umas fotos da piscina.  Aí vi um rapaz sozinho que depois me disse que era piloto da Trip.  Pedi-lhe para tirar umas fotos minhas ao lado da piscina.  Foi feio.  Pisei com meu pé direito no primeiro degrau e como devia estar com limo, escorreguei, gritei e caí.  O problema é que apoiei meu peso com minha mão direita.  A princípio, senti uma dorzinha, mas às 3:30 da manhã, acordei com febre e muita dor na palma da mão, no pulso e antebraço.  Ache que tivesse que ir para o hospital hoje e que minha viagem se encerraria por aqui.  Porém, orei e entreguei ao Universo.  Pedi à minha mãe por ajuda. (A gente se lembra de nossas mães nessas horas)!   Se por um milagre ou não, acordei quase que sem dor e podendo movimentar meus dedos.  Ufa!  Que susto!!


Tirei umas fotos lindas do nascer do sol no Rio Negro.  Logicamente que as fiz de dentro do apartamento.  


Foto de um dos apartamentos da entrada do Parque Suítes Hotel








  
   







   Logo depois de ter escorregado na piscina. Olha o frioooo...!


Não eram essas fotos que havia programado!


Anoitecendo...
Anoiteceu...


Amanheceu...
Amanheceu...




Outras fotos do Rio Negro, agora ao amanhecer.






Minha foto favorita!


Bem, já estou terminando de tomar meu café da manhã. Seu Joaquim ficou de vir me buscar para me levar de volta para o hotel Safari.  Estou pronta para voltar para lá.  É bem mais simples, mas há maior interação com as pessoas.









Hoje já é dia 28 de dezembro.  Estou no barco rumo a Santarém.  são 9:10 (horário de Manaus - dus horas a menos que o de São Paulo.


Resumindo o que se passou:  fui à piscina no dia 26 de dezembro, de manhã.  Seu Joaquim veio me buscar às 14:00 h em ponto.  A piscina do hotel Parque Suítes é linda mesmo.  Dá a impressão de que estamos nadando no Rio Negro. 










Uiii...lembrei-me do Vigilantes, mas já era tarde demais.  Bem, quando voltar a Santos, retomarei minha dieta!








Almocei no centro, num lugarzinho simples, mas estava bom, pois já eram quase 15:30 e estava com muitaaa fome.  À noite fiquei em função do contato com o senhor Joaquim para o passeio do dia seguinte ao Encontro das Águas e também precisava saber da minha reserva da pousada em Alter do Chão.  Disse-me que estava tudo ok. Pena que acreditei...




Andei pelo centro após o almoço e tirei algumas dessas fotos.
























Foi lindo o passeio do Encontro das Águas.  Saí às 8:30 da manhã do Hotel 10 de Julho. Fui com a agência Amazon Tours.  Fomos ao porto e de lá saiu o barco.  Foi muito lindo o passeio.  O encontro das águas (Rio Negro e Rio Solimões - nome dado ao Rio Amazonas antes de se encontrar com o Rio Negro) é maravilhoso.  Foi uma emoção muito grande poder contemplar esse fenômeno da natureza.


Diz a lenda que se jogarmos uma moeda bem no encontro das águas, voltaremos à Manaus ou desencalharemos de vez! rs. Joguei só 5 centavos.  Acho que deveria ter apostado mais.  Conheci um paraense de Terra Santa que não tem um centavo no bolso, cheio de amor, de espiritualidade, de tesão, de conversa...Ele me convidou para dormir com ele em sua rede.  Quis não, quero não, posso não.  Parece até letra de música brega.







Aí foi o início do meu passeio ao encontro das águas. 




Quando chegmos no restaurante da Selva, fomos de canoa até um local para ver uma árvore imensa, típica da região.  Perdoem-me, mas me esqueci seu nome. 


Porto de Manaus


Proximidades do Porto de Manaus


Porto de Manaus












Antes de embarcar.



No barco rumo ao encontro das [aguas

Antiga cervejaria 






Palafitas construídas de modo a enfrentarem as cheias do Rio Negro.




Bandeira do Estado do Amazonas




Posto de gasolina aquático






Chegando ao encontro das águas.






Encontro das águas do Rio Negro e o Rio Solimões.  Por que eles não se misturam? Explicaram-nos que é devido à diferença de acidez, velocidade e temperatura.




















O guia mostrando a diferença das águas dos dois Rios.








Que bravura!












Pescadores da região





Quando chegamos ao restaurante da Selva, fomos de canoa até um local para ver uma árvore imensa, típica da região.  Perdoem-me, mas me esqueci seu nome.  Foi meio traumático esse passeio, pois me deu um pouco de MEDO da canoa e de atravessar uma ponte de madeira.  Acabei segurando o povo atrás de mim.  Chegou até a ser cômico, pois veio um cachorrinho na minha direção (como se não bastasse) naquela ponte estreita e parou na minha frente.  E ficou ali parado.  Imaginem o meu MEDO.  Todos me diziam: " Vai, vai..." Até que não tive outra alternativa.  Já estava com vergonha, isso sim.  O cachorrinho não me mordeu. Ufa!
 Virei personagem do passeio pelo meu medo. Cada um com os seus MEDOS.  Eu estou aqui, sem medo, viajando sem companhia. Ganho alguns pontos?


MEDO!!!




Depois foi a visita às Vitórias Régias.  Tivemos que atravessar outra ponte, onde embaixo estvam jacarés de vários tamanhos, visíveis e ocultos, imagino!  Parecia cena de filme do Indiana Jones.











Olha a estrutura da ponte e lá embaixo está um jacaré gigante!












Em plena selva e eu de havaianas!!  Errei!










Almoçamos, visitamos as tendas dos índios com  trabalhos artesanais.  Tirei fotos do Felipe, um indinho de 3 anos que conquistou meu coração com seu olhar tão profundo e inocente.  Tirei foto da Gabriela também, uma indinha de 5 anos bem gorducha.















Acho que o Felipe não gostou do meu abraço. sniff...Não culpo você, Felipe.  Deve ser muito chato ter que aguentar tantos turistas que chegam e que se vão...


Gabriela















E aí? Dá pra tomar uma Kaiser antes? rs


Aí a chuva veio e veio forte!




A chuva e vento nos pegou na volta, na ponte do cachorrinho! Isso foi o que sobrou do meu guarda-chuvinha colorido.






Vejam a ponte!!




Conversei um pouquinho com essa menina que me contou um pouquinho como era viver em uma casa flutuante.  Aliás, nós é que dizemos flutuante.  Para eles a realidade é essa..não existe outra coisa.  A escola é flutuante, os restaurantes são flutuantes, o trabalho é flutuante...exceto as idéias, creio.  Ou não serão como as nossas? Ela me pareceu uma pequena mulher de negócios acompanhando suas vendas..menina inteligente e sábia. É uma sábia que não sabe o quanto que sabe.  Parabéns! 








Conheci também no passeio, uma alemã chamada Andrea.  Disse que é bióloga e que está fazendo doutorado na USP e que deve ficar no Brasil mais um ano. Essa não me pareceu sábia!! A princípio foi simpática, como quase todo mundo o é.  Conversamos bastante.  Ela era de Berlim e eu lhe contei sobre uma sobrinha minha Catarina, que não a conheço e que vive lá.


Bem, no final do passeio, Andrea me decepcionou um tanto com seu comportamento.  Disse-me que havia perdido seu dinheiro quando havia ido comprar seu souvenir, uma camiseta, pois fazia frio e chovia muito.  Pediu-me emprestado R$ 20,00 para pagar a conta do bar do barco.  Disse-me que me pagaria em Santos e eu lhe disse que assim não seria possível, pois precisava de dinheiro também. Bem, a questão não seria o dinheiro, mas como pareceu agir de má fé. 

Disse-he que pagaria a conta, mas quando chegássemos em Manaus, poderia ir caminhando com ela a um caixinha eletrônico e ela então, poderia me devolver o dinheiro.  Ela não aceitou minha proposta.  Disse-me que teria que se encontrar com uma amiga de uma amiga depois do passeio.  "E daí?  Não é mesmo? Ela então me disse que falaria com o guia e resolveria a questão.  O guia e a garçonete do barco sugeriram a mesma coisa que eu havia sugerido de acompanhá-la a um caixinha eletrônico. Ficou furiosa.  Começou a falar bem alto, quase que gritando, dizendo que não gostava desse comportamento dos brasileiros!  Eu, então, lhe disse que se eu estivesse na Alemanha ou em qualquer parte do mundo, eles exigiriam o pagamento pelos serviços prestados da mesma maneira.  Que não me surpreenderia se não chamassem a polícia.  Paa a sorte dela, estava no Brasil, em um lugar com pessoas tranquilas que deixaram ela ir com a promessa de que voltaria ao porto para pagá-los no dia seguinte. Será que ela foi?


Porção de pirarucu que supostamente iríamos dividir! rs




Dinheiro, dinheiro, dinheiro...




Essa situação toda me fez lembrar aqueles gringos aproveitadores que conheci no Rio de Janeiro.  Pediam dinheiro emprestado sem o mínimo de constrangimento, alegando que haviam saído com o mínimo.  Isso me passou umas três vezes.  Achei difícil ser coincidência!

O passeio foi lindo, maravilhoso, memoráveeeel...

Desci no centro para comprar minha rede e minha manta.







 Nesse vão estava minha rede me esperando.  Dei-lhe o nome de Vitória! A Vitória me acompanhou nessa longa viagem.  Parecia sorrir para mim.
Queria tirar uma foto de uma chapa de carro do Amazonas.  Acabei tirando da do carro do senhor Joaquim Bezerra.  Ele ficou muito preocupado com isso.  Não havia entendido.  Por que será?

  Fui até à agência do senhor Joaquim Bezerra e ele não estava conforme havíamos combinado.  No nosso primeiro encontro quando estávamos acertando a devolução do depósito dos R$ 800,00 que eu havia feito na sua conta para a viagem de Manaus à Venezuela, resolvi viajar de Manaus a Santarém de barco, uma viagem de 36 horas pelo Rio Amazonas. Tal viagem, disse ele, custaria ida e volta R$ 300,00. Depois descobri que era R$ 230,00, mas tudo bem.  Se ele achou que ganhou assim, está bem. Essa contabilidade eu não quero fazer!



  Santarém é a segunda maior cidade do Pará, e a 28 kilômetros de lá fica Alter do Chão, o que eles chamam de Caribe da Amazônia, pois a água do Rio Tapajós que banha a cidade, é ora azul, ora verde.  É realmente lindo. 

Havia decidido ir para lá para romper o ano em Alter do Chão.

Precisava falar com o senhor Joaquim, pois ele havia me dito que iria levar minha rede para o barco cedinho e já deixá-la pendurada lá para reservar lugar.  Não sabia que era assim que funcionava. Há pessoas que chegam no barco às 7:00 h da manhã para guardar lugar e o barco só sai por vezes às 13:00 horas! 

Como o senhor Joaquim não estava, o Cláudio, dono da agência Backpackers, me disse que estava tudo certo para eu ficar em Alter do Chão na pousada da tia Marilda e que inclusive ela era sua tia e ele havia estado lá há duas semanas.  Seu Joaquim havia me falado o mesmo, mas não se encontrava no dia antes da viagem que duraria 36 horas!! Liguei então, para seus dois celulares e ambos estavam desligados.  Confesso que fiquei estressada, pois não sabia se a viagem iria rolar ou não.  Isso implicaria em uma série de mudanças que já não havia mais tempo para mudar, já que era final de ano, dia 27 de dezembro.





Homem de palavra esse senhor Joaquim Bezerra.  Confesso que algumas vezes cumpriu com a palavra, mas com as coisas menos determinantes. 


Duas horas depois, voltei à agência para tentar novamente um contato com o senhor Joaquim e nada.  Já havia lhe dado tempo para tentar entrar em contato comigo, pois sabia também o telefone do hotel Safari, onde eu estava hospedada. Disse ao dono de outra agência concorrente que também fica localizada no hotel Dez de Julho, que iria na Polícia no dia seguinte.  O dono dessa agência, um português muito simpático, tentou me acalmar, mas percebeu que o senhor Joaquim tinha mesmo seus dois telefones desligados.  Parece que surtiu efeito minha ameaça, pois no dia seguinte às 7 horas, seu Joaquim apareceu no hotel Safari para me avisar que havia comprado a minha passagem para Santarém nesse mesmo dia, às 6:00 h damanhã e que o barco sairia às 13:00 h e que ele viria me pegar às 10:00 h.  Precisava de todo esse estresse?  Por que ele não me avisou isso na noite anterior, conforme havíamos combinado? 

Ele me disse também que eu estava difamando-o na cidade de Manaus. Disse-lhe que só relatei o que havia se passado comigo.  Puxa...ele deveria ter jogado o tapete vermelho para mim que só queria a devolução do meu dinheiro em troca de passeios. 

Sr. Joaquim foi me buscar no hotel às 10:00 h da manhã em ponto.  Quando chegamos no porto, percebi que havia me esquecido de minha mochila.  Foi uma correria.  Ele queria que eu pegasse um táxi de volta e eu lhe disse que estava com pouco dinheiro.  (outra vez dinheiro!!) Ele me perguntou como que eu queria ir para a Venezuela sem dinheiro.  Bem...nem respondi sua pergunta.  Eu é que tinha perguntas a lhe fazer. Na realidade, não consegui ficar com raiva dele.  Trouxe-me de volta ao porto e ficou de me pegar lá de novo no dia 5 de janeiro às 5 da manhã, dia no qual o barco Golfinhos estaria aportando lá em Manaus.




Ontem, dia 28 de dezembro, passei o dia no barco ajeitando as coisas e demarcando território com a minha rede.  Se você abandonar sua rede, corre o risco de alguém empurrá-la e você perder seu espaço para dormir e colocar sua bagagem embaixo dela, ou até mesmo levarem suas coisas. Nunca se sabe...Bem, fui conhecendo as pessoas, com quem estaria viajando essas longas 36 horas.  Minhas vizinhas de rede, por sorte, eram duas irmãs, muito amigáveis, e sua mãe.  Achei interessante que o pai delas ficou com elas das 7:00 h da manhã até ás 13:00 h, só para fazer companhia para a família.  Ele tinha que trabalhar e elas estavam indo de férias visitar seus parentes em Santarém. 

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Agente de vendas de passagens de barco




 Feliz com minha passagem, finalmente!!
Ao lado do ponto de embarque no porto de Manaus.



Foi nesse barco que viajamos por 36 horas pelo Rio Amazonas. Nada similar aos cruzeiros Costa, mas chegamos lá! Ufa!!





 Demarcação de território! Minha rede Vitória!!
Minha rede Vitória é a mais bonita.  Podem ver?




 Eu e meus dois "filhinhos" Cliffy e marronzinho que quase que caíam no Rio quando acidentalmente sacudi a rede.  Acho que não me perdoaria nunca!
Aí estão as meninas, Ágata e Julie, irmãs e minhas vizinhas de rede.  Obrigada meninas, vocês foram uns amores.  Sempre cuidando de minhas coisas. Um beijo grande pra vocês.


Redes e mais redes...



Apaixonei-me por essa pequena índia.  Olhava-me sempre com esse olhar profundo.  Ela estava com a perninha machucada.  Trouxe para a sua mãe um cicatrizante.  Espero que tenha sarado logo.


Fotos  que tirei de dentro do barco na espera da partida.  .


Ambulante que me contou um pouquinho de sua história. Admirei-o pela sua alegria.
Seus chapéus diziam Feliz 2012!! Espero que seja feliz mesmo!


Últimas chamadas!  Liga pra mim, não, não liga pra ele, pra ele...Lembram dessa música breguinha, mas foi um sucesso na época.



 Olha os chips de banana gente! São saborosos!








Olha o bagageiro trazendo mais carga para o barco!






Ainda no porto...






Fui conhecer o bar  co.

Acabamos saindo às 15 horas. Que longa espera...


Há tanta gente em volta da gente que não dá para conhecer todo mundo. Aí está a Julie novamente, minha vizinha de rede.





Achei interessante a Julie me perguntar se eu via muitos artistas em São Paulo.  Por um instante senti a distância que é o sudeste da Amazônia. Não nos damos conta de que vivemos ao lado da rede Globo e a população do Brasil está ligada nesse mesmo canal.  O que se há de fazer?



Há tanta gente em volta da gente que não dá para conhecer todo mundo. Hoje, no café da manhã, conheci uma moça que disse que estava atrás de mim e havia ouvido o meu grito na noite anterior quando um besourão preto (parecido com barata) aterrisou primeiramente na lâmpada que estava acima da minha rede e depois, logicamente, voou para a minha rede.  Cobri-me com minha manta e pedia pelo amor de Deus para alguém tirar o besouro dali, o besouro gigante, diga-se de passagem.  Bem, Juliane deu um tapa no besouro e aí adormeci.  O susto foi tão grande que acho que entrei em choque.  só acordei lá para às 3:00 h da manhã para ir ao banheiro.  Havia me esquecido de baratas.  Há tanta gente no barco que elas não conseguiriam locomover-se ou sobreviver.  Bem, o que senti nas minhas costas foi outro besouro.  Dei um gritinho mais tímido e derrubei-o no chão com um tapa, como se eu já fosse uma nativa da região! rs  Fui lavar o rosto e vi outro besouro e uma espécie de lacraia.  Horrível.  Joguei água neles e saí correndo dali.  Pensei nas outras pessoas que dormiam por ali.  Havia começado a me sentir valente!! Essa situação fez-me lembrar de quando matei uma aranha gigante no sítio do Zepa em Tiradentes em outubro de 2011.  Havia ido visitar o Otávio no seu aniversário e no meio da noite tive que ir ao banheiro também.  Bem, ao abrir a porta, deparei-me com esse aranhão que não tive escapatória.  Peguei minha havaiana e bati nela antes que pulasse em mim.  Consegui bater nela sem errar e depois fiquei suando frio.  A sensação do besouro agora foi a mesma.  Sei que é censurável esse meu medo de insetos, mas o que posso fazer?  Ao menos, estou tentando me superar.

Nossa partida



O barco saiu às 15:00 horas.  Era gente almoçando os inúmeros marmitexes que chegavam, era gente comendo sua comida de casa também. Eu inexperiente, resolvi não comer nada. Também, como meu café da manhã havia sido de bom tamanho, ainda não estava sentindo fome.  Só lá para as 16:00 horas vim para o bar aqui em cima e pedi um sanduíche de queijo e uma cerveja.  Logo em seguida, peguei minha garrafa de vinho Ana Carolina junto a minha rede e um rapaz abriu-a para mim com uma chave de fenda!  Espirrou vinho na camisa de vários homens.  Ainda bem que apenas sorriram e era vinho tinto!! Então, compartilhei esse vinho com o Douglas e o Dimas, o Hércules que abriu a garrafa tão bravamente!  Obrigada Dimas!  O Nelson que estava com o Douglas, disse que não bebia.  Conversamos bastante sobre a região e eles me disseram que eram do Pará.

  Eu fugia à regra.  Uma mulher viajando sozinha, sacando fotos, escrevendo no bar e conversando com os homens de igual para igual.  Era de se estranhar, mas ninguém me desrespeitou por isso.  Pouco a pouco, outras mulheres foram se chegando também.  Foi bom.  Eu acabei encorajando-as. Sem dúvida, ficar conversando era mais interessante que ficar deitada na rede.  Acho que se fizesse isso, me sentiria num hospital.  


   


Eu, Dimas, Douglas e o Nelson de vermelho no fundo.


Da esquerda para a direita é o Dimas, o que abriu a garrafa, e o Douglas.  Obrigada pela companhia meninos! 










A lanchonete ou bar, meu vinho e os chips de banana deliciosos!!


O barco está muito cheio, pois muitos estão indo de férias para visitar seus parentes.  Eu também estou de férias!

Já são 10:50 do outro dia, dia 29 de dezembro de 2011.  É incrível quão misterioso é o Rio Amazonas.



Aí é ainda o Rio Negro com o Rio Amazonas se mistu
rando e não se misturando.











Ontem meu banho foi de água do Rio, logicamente e apesar de ter usado um shampoo e creme bons, o cabelo estava como uma pasta.  Faz parte.  O importante é que consegui tomar banho e usar o banheiro.  Achava que não fosse conseguir.  

Pedi outra cerveja ontem à tarde e alguém me chamou - era o Antônio.  Disse-me para que não bebesse mais, pois havia muitos homens no barco.

Olhei-o com indignação, já que era minha segunda cerveja.  Depois confessou-me que tinha gostado de mim e não queria que ninguém se chegasse.  Aí passei a entender.



Bem, o Antônio começou a me contar sua história de vida.  Era casado, mas estava prestes a mudar de vida. Disse-me que ainda continuava vivendo na mesma casa, mas que já estava prestes a partir.  Essa história não é nova, porém tentei acreditar.  Disse que queria recomeçar sua vida profissional também.  Estava, inclusive, indo para o Pará, para uma cidade chamada Juriti, onde tinha uns amigos.  De lá, ele iria pegar outro barco para visitar seus pais em Terra Santa no Pará mesmo.  Achei interessante que ele me disse que não ía ficar muito tempo no barco, que ía descer logo.  Isso eram umas 19:00 horas e só chegamos na sua cidade, Itacoatiara, no dia seguinte por volta das 17:00 horas.  Aí percebi que minha viagem também era curta.  Muita gente ía até Belém, uma viagem de quatro dias! /Quem sabe ainda faça essa viagem.  Acho que essa viagem de barco vicia. 

 


De volta ao Antônio.  Mostrou-me várias carteiras profissionais e contou-me que fazia também trabalho voluntário nas reservas indígenas, com crianças enfermas.  Isso me comoveu.  Aí ele me disse que o que havia lhe chamado a atenção ao meu respeito havia sido minha humildade.  Agradeci-lhe e ele me disse então que havia agradecido a Deus por estar nesse barco e que nada era por acaso.  Disse que havia  comprado a passagem no dia anterior, que havia dito para sua mulher que ía viajar.  Bem, chegou até a convencer-me com sua história.  Pediu-me um beijo insistentemente e eu lhe neguei insistentemente até que depois de muita conversa, acabei cedendo e dei-lhe um beijo quando a noite já havia caído.   




 Assim estava o dia, o Rio, quando começamos a conversar.


Antônio

Anoiteceu devagarinho...











Antônio, então, falou-me que iria para Santarém comigo e que quando voltássemos para Manaus, se eu lhe ajudasse, viria para São Paulo comigo.  Disse-me tudo isso com tanta força que cheguei a acreditar, especialmente porque as coisas para mim sempre foram meio que arrebatadoras. Mais uma vez tirou suas carteirinhas com suas  inúmeras qualificações profissionais  e tratou de dizer-me que ele começaria a trabalhar de imediato em São Paulo, só precisava dessa força.  Disse também que cuidaria de mim e que poderia ser meu companheiro.  Engraçado que como estava um pouco fragilizada por não saber se havia uma pousada em Alter do Chão ou não, me soava bem as palavras do Antônio. Fazia tempo que não tinha essa sensação de ser um casal.  Foi por apenas alguns minutos, mas me passou essa segurança que ignorava  sentir falta dela.


Bem, disse-me para eu ir tomar banho e que nos encontraríamos mais tarde.  Perguntou-me se eu não queria dormir junto com ele em sua rede e eu disse que não seria uma boa ideia. Ele concordou.


Encontramo-nos uma meia hora depois.  Parecia que eu estava indo para uma festa.  Fez-me lembrar do diário de AnneFrank.  Ela se arrumava para se encontrar com o rapazinho por quem estava enamorada, mas era em um pequeno recinto.  O imaginário contava mais.  Foi essa sensação que tive.  Arrumei-me para ficar na proa do barco, sentindo aquele vento forte junto com chuviscos.  Ficamos ali por uns quinze minutos, despedimo-nos e fomos dormir. Eu estava no segundo andar e ele no terceiro, ao lado do bar.


MEU SONHO


Tive um sonho estranho naquela noite.  Acordei na madrugada que nem me lembrei de besouros.  Acho que  não apareceram por ali.


Sonhei com o Antônio apontando uma metralhadora para mim e para ele mesmo, como se ele fosse duas pessoas.  Meus sonhos, às vezes, me sinalizam coisas.  Para essa situação, meu sonho nem precisava me avisar que não era o que eu deveria fazer, levar o Antônio comigo na minha bagagem.


Na manhã seguinte, ele passou por mim e não me cumprimentou.  Desviou o olhar.  Bem, isso eu já previa. Tive que me aproximar dele e perguntar-lhe se estava tudo bem.  Ele antecipou e disse que havia decidido não ir comigo para Santarém.  Eu concordei com ele que era o que se deveria fazer.  Ele me disse que viria me procurar em São Paulo no futuro. Disse-me que eu iria me surpreender.  Bem, no dia 31 de janeiro agora ele entrou em contato comigo dizendo que gostaria de vir para Santos.  Perguntei ao meu oráculo I Ching e ele respondeu com o hexagrama Abismo do Abismo.  Isso eu também já sabia!


  




Antônio passando por mim sem me cumprimentar.  Ele mão pôde me dizer que não me viu, pois eu estava com a câmera quase que na frente dele. sniff...







Fui andar pelo barco novamente.  É interessante como todo mundo levanta cedo para tomar banho e à noite  os banhos se repetem também.  São dois banhos por dia, ainda que seja água do rio.

 Café da manhã no refeitório do barco. Não era mal. Eles cobram R$ 2,00 e está de bom tamanho. Tem café por R$ 3,00 também. Aí já é mais incrementado.



Improviso para banhar as crianças, pobrecitas! Porém, estavam se divertindo dentro da pia!


Menininho esperando para escovar seus dentes na pia onde as crianças estão se banhando.



Fila para o almoço...essa foi a minha segunda refeição no barco.
 Os meninos jogando dominó.  Aliás, jogaram quase que a viagem inteira. Pena que eu não saiba jogar.


Com o calor, uma cervejinha cai bem.


















Bem, pensei...Antônio coloriu minha noite anterior.
Agora está deitado e enrolado na sua rede, bem próximo de mim. Estou aqui na lanchonete/bar escrevendo.  Aliás, faz duas horas que estou escrevendo.  Ufa! Estamos no terceiro andar. Minha rede está no segundo.  Antônio acabou de enrolar sua rede e foi para o segundo andar.  Não falou comigo.  É assim mesmo.  Às vezes, as pessoas se apressam demais nas palavras.






O Antônio se foi agora.  Fui tomar banho talvez até para não vê-lo partir sem se despedir de mim.  Só sabia que agora havíamos chegado em Juriti e que o barco estava encostado para apanhar os passageiros que desceriam ali.  Antônio estava usando uma camisa lilás e de longe fotografei a barca com um zoom que dava para identificar a camisa lilás. E lá se foi ele.  Suas últimas palavras para mim foram que seus planos não haviam mudado e que me surpreenderia e bateria na minha porta em São Paulo.




 Não aportamos em Juriti.  Esse barco veio buscar os passageiros que desembarcariam ali. Entre eles estava o Antônio.
Lá se vai a camisa lilás...

Juriti, Pará - cidade onde o Antônio desembarcou.





E o barco ficou cada vez mais distante...


Bem, fiquei bastante triste, uma tristeza que não sabia explicar.  Acho que porque ele havia me dito que cuidaria de mim e que de agora em diante teria um parceiro.  Foi como se tivessem me arrancado uma casca de ferida.  Senti-me só de repente, frágil, desprotegida.  Tive que retomar minhas forças novamente.


Fiquei deitada na rede onde estava a rede do Antônio, ao lado do bar, na lateral.  Fiquei ali contemplando a todos.  Antes de o Antônio ir, armou minha rede, ao menos.









Ali fiquei, tirei fotos do Caio José, um menininho de um olhar mais profundo que o mar, ou nesse caso, mais profundo que o Rio Amazonas.  A propósito, o Rio Amazonas requer ao menos um parágrafo meu.


Caio José, lindo!





Caio José perdido entre as redes, mas sempre me fitando com esse olhar de quem queria me dizer alguma coisa. Obrigada, meu lindinho.  Você foi muito especial.  Foi como uma oração.








Amazônia...











Tempestade à vista!


















































































  1. Saga Da Amazônia
    Vital Farias


    Era uma vez na AMAZÔNIA, a mais bonita floresta
    Mata verde, céu azul, a mais imensa floresta
    No fundo d'água as IARAS, caboclo lendas e mágoas
    E os rios puxando as águas


    PAPAGAIOS, PERIQUITOS, cuidavam das suas cores
    Os peixes singrando os rios, Curumins cheios de amores
    Sorria o JURUPARI, URAPURU, seu porvir
    Era: FAUNA, FLORA, FRUTOS E FLORES


    Toda mata tem caipora para a mata vigiar
    Veio caipora de fora para a mata definhar
    E trouxe DRAGÃO-DE-FERRO, prá comer muita madeira
    E trouxe em estilo gigante, prá acabar com a capoeira.


    Fizeram logo o projeto sem ninguém testemunhar
    Prá o dragão cortar madeira e toda mata derrubar:
    Se a floresta meu amigo tivesse pé prá andar
    Eu garanto meu amigo, com o perigo não tinha ficado lá.


    O que se corta em segundos gasta tempo prá vingar
    E o fruto que dá no cacho prá gente se alimentar??
    Depois tem passarinho, tem o ninho, tem o ar
    ICARAPÉ, rio abaixo, tem riacho e esse rio que é um mar.


    Mas o DRAGÃO continua a floresta devorar
    E quem habita essa mata prá onde vai se mudar??
    Corre ÍNDIO, SERINGUEIRO, PREGUIÇA, TAMANDUÁ
    TARTARUGA, pé ligeiro, corre-corre TRIBO DOS KAMAIURA


    No lugar que havia mata, hoje há perseguição
    Grileiro mata posseiro só prá lhe roubar seu chão
    Castanheiro, seringueiro já viraram até peão
    Afora os que já morreram como ave-de-arribação
    Zé da Nana tá de prova, naquele lugar tem cova
    Gente enterrada no chão:


    Pois mataram índio que matou grileiro que matou posseiro
    Disse um castanheiro para um seringueiro que um estrangeiro
    Roubou seu lugar


    Foi então que um violeiro chegando na região
    Ficou tão penalizado e escreveu essa canção
    E talvez, desesperado com tanta devastação
    Pegou a primeira estrada sem rumo, sem direção
    Com os olhos cheios de água, sumiu levando essa mágoa
    Dentro do seu coração.


    Aqui termina essa história para gente de valor
    Prá gente que tem memória muito crença muito amor
    Prá defender o que ainda resta sem rodeio, sem aresta
    ERA UMA VEZ UMA FLORESTA NA LINHA DO EQUADOR.









RIO AMAZONAS



































Rio Amazonas - como posso descrevê-lo? Caudaloso, caudaloso, caudaloso, barrento, misterioso, misterioso, tenebroso, lindo, lindo, impiedoso, devorador e ...não há adjetivos suficientes para descrevê-lo.


Ouvi tantas histórias de gente que desapareceu NELE, de seus peixes verozes, do Candiru, esse peixinho que se assemelha a uma caneta e entra por qualquer orifício seu e te devora por dentro lentamente.  Dizem que o ácido úrico da urina o atrai. 


Também ouvi histórias de piranhas, piranhas negras, dos jacarés nos igarapés, seu lugar favorito, das sucuris que preferem atacar a presa quando esta está imóvel.  Enfim, se cair no Rio, não há para onde correr.  Só mesmo um milagre do Universo.






Noite de 29/12 a 30/12 - Minha última noite no barco 


Errei profundamente.  Achava que saindo do segundo andar, onde eu estava, próximo a essa lâmpada que havia atraído aquele besouro gigante, era o pior. 


Não havia me atido ao fato de que à noite, as luzes da lanchonete/bar permaneciam acesas até altas horas e consequentemente, elas atraíam todos os insetos da região. 


Agora que havia saído do meu lugar e estava no terceiro andar, nem tinha como voltar.  Já nem havia mais espaço para mim de onde havia retirado minha rede.  Agora o jeito era ficar no terceiro andar mesmo.


 Bem, tive que lutar contra os besourinhos, besouros médios e besouros gigantes, além das centenas de vagalumes.  Nunca havia visto tantos vagalumes juntos. Porém, graças a Deus, não vi uma barata. Acordei com um besourinho no meu pescoço.  Já não me fez medo.  


As dezenas de aranhas que estavam no teto me deram um certo pavor.  Aí pedi ao pai do Caio José se ele poderia retirá-las dali para mim.  Ele começou a jogá-las no Rio, até que uma voz gritou assim: "Mata elas não.  Deixas as bichinha viver."  Ele então me disse que eu teria que me acostumar com a fauna da Amazônia.  Tive que concordar com ele. Para minha sorte, ele já havia retirado quase todas que eu podia enxergar.  Agradeci-lhe imensamente e lhe pedi desculpas também. Tratei de dormir o mais rápido possível.  Enrolei-me totalmente na minha manta para me proteger dos insetos voadores não identificados! 


Dormi no embalo das histórias do Dimas, esse paraense de Belém que havia aberto meu vinho com uma chave de fenda.  Contava suas histórias com um tom de choro temperado com bebida e só ele falava e falava.  Adormeci...




Dedico essa música aos meus colegas do bar co.  Confesso que senti falta de um som para escutar a minha música, a música que me sensibliza.  Da próxima vez não me esquecerei.














Bem, e por falar em garçon, lembrei-me também dessa música do Chico Buarque.












Acordei em Óbidos.  Achei horrível o nome dessa cidade.  Aliás, havia confundindo esse nome quando perguntei onde estávamos.  Escutei direitinho Óbitos!!  Ali ficamos umas duas horas esperando eles carregarem o barco.  Contaram-me também que ali havia acontecido um acidente horrível com um barco onde quase que todos os passageiros foram se debruçar em um lado do barco parado e ele tombou.  Muitas pessoas não conseguiram sobreviver.  Achei terrível essa história.


Estava me dando um certo receio também, verificar o quanto de carga estava colocando no nosso barco.  Parecia sacos de cimento.  Imaginem!  Já estava preocupada com o número de malas e a super lotação do barco e agora mais carga.  Imaginei que eles sabiam do risco de que estávamos correndo, mas confiei.  Ainda bem que o acidente com o navio  na costa italiana foi depois de eu ter chegado de volta a Santos.  Teria ficado mais preocupada.


Adormeci novamente.


Acordei com um vento embaixo de minhas costas.  Era o vento do Amazonas, um vento gelado, gelado.  Pedi ao Dimas para que me desculpasse eu interromper sua história e me ajudasse a mudar a posição de minha rede.  Ele então, deu a ideia de baixar a lona.  Nossa...que diferença que fez.  Aí dormi e só acordei com os uuusss das pessoas anunciando que acabávamos de chegar em Santarém.  Eram 5 e pouco da manhã do dia 30 de dezembro de 2011.  Estava noite ainda.  Deu-me um aperto no peito ao pensar o que esperava por mim.




                                     Santarém














 Não tive pressa de sair do barco. Fui tomar outro banho e depois tomar meu "petit dejeuner".  Brinquei com o senhor Ribeiro, um cearense que ia descer em Belém e de lá ia para Fortaleza ainda.  Falei a ele e ao Roberto, um outro senhor que ia para Belém, que iríamos tomar o nosso café da manhã francês!


Comecei a brincar novamente. Inclusive, comecei a cantar, brincando com as atendentes que até então trabalhavam com muito mal humor.  Não as culpo.  É realmente muito trabalho em condições não muito confortáveis. 


Elas começaram a sorrir com o meu cantarolar.  Tirei suas fotos.  Uma se chamava Júci e a outra Tereza com z, me disse assim.  Inclusive, ela parecia com a Dona Wilma, vó da Aline , minha sobrinha.  Nunca perco essa mania de ver o rosto de alguém que me faz lembrar de alguém.  Será que isso é útil para alguma coisa? rs Talvez o seja para trabalhar em algum serviço secreto! rs


Não sei porque lembrei-me da Jéssica, uma ex-aluna que chegou a morar na minha casa por uns três meses. Achei que ela iria gostar de tudo isso. Mas não foi apenas um pensar.  Foi uma conexão telepática.  Não sei. Não sei que nome dar a isso.




 Roberto e o senhor Ribeiro no refeitório.
 Roberto, Júci, Tereza e o senhor Ribeiro.  Nós fomos os últimos a tomar o café da manhã, isto é, o "petit dejeuner".
Tereza e Júci. Agora sim estamparam um sorriso.  Obrigada, meninas.  






Minha saída do barco




Confesso que senti um frio na barriga de ver minha hora se aproximando para eu sair do barco.  


Seu Ribeiro se ofereceu para enrolar minha rede para mim.  Algumas lágrimas escorreram no meu rosto. Choro mesmo fácil, mas me emocionei ao ver minha rede ser enrolada e deixar o barco para trás com as histórias vividas e histórias que escutei. 






Tirei ainda umas fotos, inclusive, de uns menininhos que não pararam quietos durante a viagem toda.  Também, pudera!  Um deles me fez lembrar o Vitor, meu sobrinho, quando pequeno.  Não perco essa mania mesmo!


 A maioria do povo desembarcou em Santarém. Assim ficou o barco, com poucas redes.
 Já estava pronta para deixar o barco.
 O Rio Tapajós começava a me encantar.
 Outras embarcações






 Despedida do Dimas que seguia viagem até Belém.  Mais uma vez, obrigada por ter aberto meu vinho e ter baixado a lona.  Espero que tenham feito boa viagem.
 Caio José com sua mãe










 Encontro do Tapajós com o Amazonas






 Olá meninos!  Vocês provaram que se pode brincar dentro de um barco por pelo menos umas 20 horas!  Parabéns!.


Obrigada pelos sorrisos.




























Tchau meninos!




Bem, como disse o Filipe Catto, não existe música brega, mas música que te emociona.  Gosto do refrão dessa música. "Vou chorar...desculpe mas eu vou chorar".  Por isso, coloquei-a aí.






Senhor Ribeiro me levou até à saída do barco e à rua onde estavam os moto táxis. O nome do condutor era Nirlaelson.  Nunca ouvi tantos nomes diferentes como aqui nessa região.  Parecem nomes compostos em um só nome.  


O Nirlaelson pegou a Avenida Rui Barbosa.  Disse-me que era a avenida principal e onde estavam todos os bancos também.  Avistei o Santander.  Ele me esperou atravessar a rua para ver se havia algum milagre, algum depósito, quem sabe o da Jéssica, mas nada.  Ela havia me prometido quitar sua dívida comigo antes de minha viagem.














Bem, pedi-lhe que me levasse até o ponto de ônibus para Alter do Chão.  Quando chegamos ao ponto, disse-me que deveria estar para chegar pelo número de pessoas no ponto.


Assim que cheguei, tirei uma foto.  








Ouvi um rapaz, esse de camiseta preta na foto, sentado, fazendo diversas perguntas para as senhoras ao seu lado. Fez-lhe várias perguntas sobre os pratos da região.  Tinha jeito e sotaque de paulista.  Então, lhe perguntei sem receio, se era de São Paulo e ele me respondeu quase que me fuzilando que era de Santa Catarina.  Não me devolveu nenhuma pergunta.  Obviamente, não queria conversar comigo, mas assim mesmo insisti.  Perguntei-lhe como havia chegado a Santarém e respondeu-me com um olhar quarenta e cinco e um suspiro dizendo assim: "Estou viajando há muito tempo." Insisti na pergunta, pois queria saber as outras maneiras de chegar a Santarém. Ele então respondeu sem olhar nos meus olhos, que tinha vindo do Amapá.  Se perguntasse mais alguma coisa para esse sujeito, certamente jogaria sua mala em cima de mim. Como diz o ditado budista: "bom, muito bom". Obrigada catarinense, pela sua simpatia!


Voltei-me então, para um homem, esse de camisa azul, em pé. Tinha uma energia super positiva.  Fiz-lhe uma pergunta muito importante:  "Por acaso o senhor conhece a Pousada da Tia Marilda?" Ele me respondeu que sim e que era uma pousada muito boa, mas me perguntou se eu tinha reserva, pois certamente não encontraria lugar, pois era final de ano. 


Contei-lhe toda a história da agência de Manaus, a Backpackers do tal do Claudio que disse que era parente da tia Marilda e que já tinha feito a minha reserva.  Ele me perguntou se eu tinha um comprovante e disse-lhe que não.  Comecei a sentir um aperto no meu peito.


O ônibus logo chegou.  Ele conseguiu um lugar e cedeu-o para mim e assim fomos conversando.  O catarinense foi em pé e me olhou de rabo de olho como quem diz: "ela se deu bem". Fui a única que fui sentada.


Disse-me que era marinheiro, comandante e que trabalhava para uma família de Alter do Chão e que estava prestando serviços para um empresário de São Paulo. Havia me dito onde eu deveria descer, mas no final resolveu levar-me até à Pousada da tia Marilda.


Havia imaginado um lugar super rústico, mas era uma pousada muito lindinha e muito organizada.  Algo me dizia que nem o senhor Joaquim nem o seu sócio Claudio da Backpackers, haviam feito reserva alguma para mim.  E foi isso mesmo.  Nem conheciam o Claudio que disse que a tia Marilda era tia dele.  Obrigada Claudio e senhor Joaquim Bezerra mais uma vez!!


O senhor Manoel, dono da Pousada tia Marilda, desejou-me boa sorte e que eu ficasse tranquila, pois estava em boas mãos, nas mãos do comandante Max.


Comecei a chorar e ele enxugou minhas lágrimas.  Disse-me que conhecia o dono de outra pousada a umas quatro quadras dali e que em último caso me levaria para a casa do seu patrão e amigo e pediria ajuda a eles para me receber. 


Levou-me, então, até à praia que ficava a uma quadra dali. Disse-me que eu deveria relaxar agora.  Realmente a paisagem era linda.


Alter do Chão, Pará




















Fiquei encantada.  Não estava acreditando na cor daquela água.  Quando viajando pelo Rio Amazonas e me diziam que a água do Rio Tapajós era azul e verde, cheguei a achar que o povo não conhecia essas cores! Mas é que era difícil de acreditar mesmo.  A areia era branquinha, o Rio Tapajós azul e verde, como havia me dito.  Lindo, lindo, lindo...maravilhoso.  




Tudo isso foi um misto de sentimentos...Continuamos nossa caminhada até a tal da pousada de que ele havia me dito.  Estava com receio de que havíamos perdido tempo contemplando a paisagem linda.  Porém, havia começado a relaxar e lembrar-me de que tudo acontece na hora que tem que acontecer, se relaxarmos.










Chegando na pousada, o senhor Aloísio, o dono, estava lá na frente da casa.  Ficou espantado, pois nos disse que um casal havia acabado de telefonar cancelando sua reserva, o último quarto que ele tinha disponível agora. 





 Que bom que paramos na praia para contemplá-la.  Se tivéssemos chegado uns minutos antes, não haveria quartos disponíveis.  Tempo Maya, sincronicidade, dedo de Deus, o que quer que chamemos, fiquei muito feliz.


Negociei um pacote com o senhor Aloísio e ele fez a diária para mim por R$ 80,00.  Fui me trocar para poder ir à praia e o senhor Aloísio veio com um envelope para mim escrito assim:









Bem, o quarto era simples, mas para mim, foi como se tivesse conseguido uma suite presidencial!










O senhor Max esperou por mim e fomos à casa do seu patrão e amigo.






















Quando tiramos essa foto na frente da pousada, senti um abraço forte, mais forte do que um abraço para apenas tirar uma foto.  Não estava enganada.


  Lá na casa fui apresentada a todos.  Eram tantos os nomes.  Não consegui guardar todos, porém, pessoas muito simpáticas.  


Fomos, então, comprar cerveja para o pessoal, eu e o comandante. No depósito de bebidas, ele me comprou uma cerveja, Cerpinha gold, geladíssima.  Vou me lembrar sempre desse momento.


Tomamos algumas cervejas, almoçamos e ele pediu a chave do barco para seu patrão.












Simei, a esposa do dono da casa, e eu. Eram tantos os pratos que estavam preparando. Hummm...




Olha que quintal de casa gostoso!
 Silene lavando os salva-vidas.
Obrigada Ampuero e Simei pela hospitalidade, cordialidade e generosidade.  Jamais me esquecerei de vocês!! Saibam que "mi casa es su casa" sempre em Santos!!






Que self-service maravilhoso!  Da esquerda para a direita é o Luis, empresário de São Paulo, o senhor Ampuero, o dono da casa, Simei, sua esposa e a Zaine, irmã de Simei.  Ela e seu marido Oswaldo, estavam ali para o final de Ano, pois moram em Manaus.




Q


Oswaldo, marido de Zaine, de Manaus.


Senhor Ampuero, descansando na sua rede.  Não tem nada melhor que uma rede para fazer a siesta ou descansar.
























Com a chave do barco na mão, o comandante Max me levou para conhecer as ilhas ao redor. Foi um passeio paradisíaco.  Parecia até cena de filme.  Ele me tratou como uma princesa e em uma das ilhas me deu um beijo doce.  Foi muito bom tudo, sentir aquele sol, a água verde e límpida do rio, o carinho do comandante.  Foi um daqueles momentos eternos de minha viagem.  


Levou-me a uma ilha onde havia sido feito a filmagem do filme Tainá.  Aliás, senti-me como uma índia autêntica.


Voltamos e nos encontramos com o casal Luis Carlos e Siene, ela de Manaus e ele de São Paulo.  O comandante teve que trabalhar mais, isto é, levá-los a um passeio e eu fui junto! Que maravilha!














Obrigada, muitíssimo agradecida Max.  Você foi um anjo que o Universo me enviou.  Como você disse que nunca sairá da Amazônia, não posso lhe convidar para tomar um café na minha casa em Santos! Beijos.













Fotos do passeio com o casal Siene e Luis Carlos




















Ah!  Se alguém precisar de serviços de comandante de lancha, barcos, para passeios e pescarias, podem contatar o Max em Alter do Chão. Ele é ótimo e conhecedor da área, um verdadeiro Tarzan!





























Syene, de Manaus, e Luis Carlos, de São Paulo, casal muito simpático.















































 Casa erguida para o diretor do filme Tainá.




















































O que restou da casa da Tainá.  Até hoje procuram quem praticou tal vandalismo. 








 Vimos algumas pegadas que pareciam de onça.  Perguntei ao Max, mas ele disse que não era.  Só quando estavámos longe dali, disse que provavelmente eram. Disse que não queria que ficássemos com medo. Não sabia se agradecia ou não.












Bem, fiquei até à noite com eles.  Tomei banho e o comandante Max foi me visitar na Pousada mais tarde.  Ficou lá até quase meia-noite.  Levou seu laptop para ouvirmos música regional.  Disse-me que nunca mais nos veríamos e eu lhe disse que voltaria em breve.


Hoje de manhã cedo ele foi levar o sr. Luis Carlos para pescar.  Acordei às 5:36 da manhã, mas só levantei-me às 7:10 para ser precisa.  Dia 31 de dezembro é um dia mágico e assustador para mim, pois procuro não fazer nada de muito arriscador para não arruinar nem a minha noite de fim de ano e/ou arruinar a noite de outros.  Acho que tudo que acontece nessa noite acaba sendo muito marcante. 


Tomei meu café com o senhor Aloísio, fui a um mercadinho perto da pousada, lavei roupa e saí em busca do povo.  Não conseguia encontrá-los.  Fui então ao depósito das cervejas.  De lá consegui encontrar a casa.  Fui fazer a unha, almocei com eles.  Passei no depósito antes e comprei 10 cervejas.  Gostaria de ter participado com mais, mas fiz o que pude.  Meu dinheiro só entraria na minha conta no dia 2 de janeiro. 


Tirei essas fotos na minha caminhada até ao mercadinho.








Café da manhã com o senhor Aloísio em sua pousada em Alter do Chão.





Olhem onde esse passarinho fez seu ninho!







De dia dá para encarar essa rua, mas à noite, eu já não encararia.  












Mandei um email para o Otávio, meu amigo/hermano e aproveitei para mandar uma mensagem a todos de Feliz Ano Novo. Li também a mensagem engraçada do meu  eterno e grande amigo Cliff.


Faz uma hora e meia que estou escrevendo aqui na praia.  Consegui gente!  Junto com a ajuda de Deus, do Universo, da espiritualidade maior.  Estou sozinha aqui no meio da Amazônia, mas vou festejar a entrada do Ano com essa família paraense muito amável.  É mesmo uma turma muito grande.


A entrada para a festa custou apenas R$ 5,00. Isso me ajudará para poder tomar umas três cervejas.  Já estará de bom tamanho.


FELIZ ANO NOVO!!


Na realidade, sempre comemoro o que consegui superar.  Nunca se sabe o que o Novo Ano nos trará!











Tatiana, filha da Syene, de Manaus. Ela, sempre, com esse sorriso lindíssimo.  Obrigada pela simpatia, Tatiana. 













Anderson, filho da Zaine, e eu na entrada do Ano de 2012.


 Zaine e seu marido Oswaldo, casal para lá de simpáticos.  Foram meus anjos antes de eu voltar para São Paulo.
Obrigada mais uma vez Zaine e Oswaldo. A Zaine foi mais do que amiga, foi como uma mãe para mim.  Cuidou de mim como nunca.  Isso já é outra história...minha volta à Manaus.


Os fogos foram para ninguém botar defeito! O único defeito, na realidade, é que explodiram-nos muito perto da população.  Por sorte, não aconteceu nenhum acidente.


Uupss...a caneta já está falhando.


Feliz Ano Novo!!!


Hoje jé 4 de janeiro de 2012, são 12:36 e estou no barco San Marino, rumo a Manaus.  É uma longa história.  Nossa...parece que já faz tanto tempo que saí de Alter do Chão...


No dia 31 de dezembro, fiquei escrevendo até à noitinha.  O comandante Max passou mais tarde na praia com o Oswaldo, marido da Zaine e me levou para a casa da Simei.  Tomamos mais algumas cervejas por lá.  Ao me despedir disse brincando:  "See you later alligator".  Aprendi que não se deve brincar com expressões que às vezes, é só você quem conhece.  Acho que não me entenderam. O senhor Max levou-me até à pousada.  Tomei banho e me arrumei.  De repente senti uma dor no meu peito e via o rosto da Syene.  Mais tarde foi que fiquei sabendo o porquê dessa dor.  Quando saí da pousada, o senhor Aloísio me disse que o senhor do casal (Syene e Luis Carlos) que havia me acompanhado na noite anterior, tinha estado lá na pousada dizendo que estavam com um problema e precisavam de duas suítes.  Imaginei algo grave.


Fiquei no quiosque da praia no dia 31 de dezembro,  esperando por todos eles e nada.  Quando pensei que fosse passar a entrada do Ano sozinha, eles apareceram às 23:30.  


Chegaram e me contaram que o Luis não aceitou levar maizena na cabeça e no corpo como era o costume deles no Ano Novo.  Bem, ele havia acabado de tomar banho como todos os outros, mas entendo ser difícil.  Dali me disseram que desencadeou uma briga e que eles (Luis Carlos, Syene e suas filhas) haviam decidido ir embora.  Lembrei-me da dor que havia sentido com relação a Syene há poucas horas antes. Ali tudo se explicava.  


Todos estavam um pouco abatidos e eu fiquei também, mas comemoramos a entrada do Ano!  A vida é assim mesmo.  As coisas podem mudar num piscar de olhos.


Fomos embora às 2:30 da manhã, e graças a Deus, a Simei e o senhor Ampuero, seu marido, me levaram até a minha pousada. Estava uma escuridão só a rua. Fiquei sabendo depois, por sorte, que é perigoso andar na escuridão, pois cobras podem sair dos terrenos baldios e atravessar as ruas.  Acho que não seja comum, mas quando me contaram que havia acontecido isso anteriormente, fiquei assustada.  Bem, já era tarde demais para sentir medo! rs
  


Orei pela Syene e sua família.  Fiquei imaginando sua frustração.  Estava tão animada para o Reveillon.  É difícil mesmo terminar e começar o ano nesse clima de briga.  Fosse qualquer outra data, não teria esse mesmo peso, o de emoções estremas. C´est la vie...








Dia primeiro de janeiro.  O senhor Max apareceu na pousada e fomos para a casa do senhor Ampuero e da Simei.  Haviam me convidado para almoçar com eles.  O senhor Max foi trabalhar e eu fiquei com eles.  Almoçamos e saímos numa carreata.  Fou outra festa de maizena.  Jogaram maizena na minha cabeça, esfregaram maizena na minha cara e entrei na farra.  A grande diferença é que estava com saída de banho e biquíni.  Saímos depois numa carreata pela cidade.  Estava me sentindo um pouco adolescente, mas foi divertido.



















































Depois fomos à praia.  O Max apareceu por lá e disse que voltaria mais tarde.  Eles todos foram embora e eu fiquei em uma barraca esperando e esperando.  Esperei até às 19:00 e ele não apareceu.  Disse-me que apareceu às 19:30 e eu já tinha ido me embora. Aliás, me perdi para chegar na pousada.  Não me perguntem como.  Acabei chegando lá 40 minutos depois com um casal que me trouxe até à porta.






















  Lá estava o senhor Aloísio e sua família reunidos.  Conversamos bastante.  Contaram-me que são de Alemquer. Contaram-me algumas histórias e convidei-lhes para me irem me visitar em Santos.  Quem sabe um dia...


Seus filhos também são muito lindos.  Aí estão suas fotos. Ficou faltando o Rodrigo, o filho mais velho.


Essa é a nora do senhor Aluisio e seu marido abaixo.


Obrigada pelo carinho sempre.  Aguardo vocês em Santos!













O Max apareceu lá e tomamos umas cervejas com eles, aliás, várias.  Ainda comemorávamos a Entrada do Ano!! 


Saímos às 6 da manhã, mas só conseguimos pegar o ônibus das 6:45.  Difícil ficar num ponto de ônibus meia hora nesse horário. Chegamos bem cedo em Santarém.  Por sorte, meu dinheiro já havia sido depositado.  Confesso que estava com um frio na barriga.  


Fizemos o que tínhamos que fazer no centro, almoçamos, comprei algumas lembrancinhas e retornamos a Alter do Chão.




Algumas fotos em Santarém








 Encontro do Tapajós com o Amazonas


 O Max me disse que esse barco em particular, já havia naufragado e estava aí navegando..

Não gostei muito desse papai Noel, mas o Max me convenceu a tirar essa foto para mostrar o tamanho dele.  Não é nada convencional mesmo! Bem, isso também me fez lembrar que era época de Natal.

O













Quando chegamos em Alter do Chão, primeira coisa que fiz foi pagar o senhor Aluísio.  Agradeci-lhe imensamente por seu voto de confiança.  Depois fomos à casas da Simei e do Ampuero.  Deixei R$ 40,00 com eles pelas cervejas tomadas todos os dias.  Ao menos, foi uma maneira de retribuir tamanha gentileza deles.  Gostaria, na realidade, de ter deixado muito mais, mas ainda tinha que ir à praia e iria precisar de dinheiro lá também.  


Logicamente, a primeira pessoa a quem retribui seu carinho, foi ao Max.  Paguei-lhe R$ 120,00 por toda sua atenção e companhia.  Se tivesse mais, daria-lhe muito mais por tudo o que fez por mim.  Não houve preço mesmo!


Fui à praia, mas o dia parecia que já sabia que o feriado havia terminado.  O céu estava um cinza triste.  Não parecia o mesmo lugar.  Mas é assim mesmo.  Não podemos mergulhar no mesmo rio duas vezes, como disse o filósofo.  Desculpem-me esqueci seu nome. 




A caminho da praia.  Apaixonei-me pelo azul dessa casa. 




Essa formiguinha me picou.  Depois me disseram que ela dá em pé de caju e arde mesmo.  Parece queimadura leve.








Esse cinza azulado triste.  Já era hora de ir embora .






Olha esse cajueiro que lindo!


O Max apareceu três horas e meia depois.  Estava estranho.






Pena que perdi a foto desse nosso amigo verde lindo aí atrás.  Na hora que cheguei mais perto, ele entrou na cozinha.  Que pena...


Apesar do Max estar diferente comigo, agradeci-lhe em silêncio por sua companhia, pois o dia já estava melancólico por si só.


Fomos jantar no Tribal, um restaurante muito bacana ali em Alter do Chão.  Valeu.  Obrigada, Max, pela companhia.


Fomos dormir já tarde.  A Syenne me ligou quando acabávamos de chegar na pousada.  Conversamos um pouco.  Ainda estava bastante abalada com o que havia ocorrido no final do Ano.


Acordamos às 7:00 da manhã.  Tomamos café numa lanchonete próxima ao ponto de ônibus.  Antes de partir, despedi-me do senhor Aluísio.  Todos já haviam se ido da pousada, inclusive seus filhos.






Restaurante Tribal, Alter do Chão, PA






Minha despedida de Alter do Chão.  Obrigada, Max.O dia seguinte no café da manhã




O dia seguinte no café da manhã.


 







Chegamos em Santarém às 9:30.  Ele foi comigo até ao Porto e lá deixou-me.  Despediu-se de mim sem olhar nos meus olhos.  Acho que ficou irritado com meus medos de cobras e aranhas e minhas infinitas perguntas.  Havia me contado algumas histórias da mata, de sobrevivência na selva, de suas pescarias e de acidentes que não havia como eu não ficar com medo.  Aliás, nem queria mais voltar de barco e navegar pelo Amazonas.


Agora estou navegando por esse imenso Rio e ele é realmente maravilhoso, mas assustador.  A paisagem está linda.  O Rio barrento, o céu cinzento e a Selva por todos os lados.  Jamais vou me esquecer dessa viagem.  Foi um mergulho ao Brasil tão distante de São Paulo.  Um Brasil tão autêntico.  Eu com esse propósito de buscar conhecimento, estou deslumbrada e tocada ao mesmo tempo.  Esta paisagem fará parte do meu ser agora.


Ao me despedir do senhor Max, pedi a um rapaz para me ajudar com minha mochila no meio de toda a multidão.  Foi desolador ver o senhor Max ir-se e eu ficar ali contando com a sorte outra vez. Deu-me uma sensação de abandono, mas em poucos minutos já estava forte outra vez.  Não tinha opção.


Não, esse não era o meu barco. Era um transatlântico espanhol com turistas na sua maioria alemães.


O Max com minhas coisas no meio do povo esperando pelo embarque.


Perguntei a esse rapaz que me ajudou a carregar minha mochila se ele ia para Manaus no barco Golfinhos também.  Ele me disse que ia no San Marino.  Foi aí que fiquei sabendo que havia outro barco para Manaus.  Quando cheguei no Golfinhos me deu uma angústia muito grande e resolvi dar uma olhada no San Marino.  Assim que vi que esse barco tinha a metade de passageiros e era quase que  duas vezes maior que o Golfinhos, resolvi tentar trocar minha passagem.  Tive que correr, pois só tinha uma hora para resolver tudo isso.  Já eram 11:00 horas e o Golfinhos saía às 12:00 horas.  Corri até uma agência lá fora e ela não aceitava cartão, aliás, nenhuma delas aceitava.  Peguei, então, um moto-táxi que me levou ao centro para sacar dinheiro.  Voltei correndo e comprei a passagem.  Faltavam quinze minutos para o barco sair. Ufa! 


Tirei a minha rede do Golfinhos, a qual havia deixado com o Ades, um garotinho, olhando-a para mim. Surgiu outro anjo que me levou até ao San Marino e ajeitou minha rede , a princípio, ao lado de um casal que ficou estressado por eu estar colocando minha rede ao lado da deles.  A mulher parecia uma bruxa e não parava de resmungar.  Foi, então que pedi para esse rapaz levar minha rede para outro lugar. 


Quando ele estava armando a rede, notei que o rapaz do meu lado era o mesmo que havia me ajudado com a minha mochila na entrada. Sua noiva estava com ele e é muito simpática também.  Proteção! Isso me deixou muito, muito mais tranquila.  Deixei minhas coisas lá e fui tomar uma cerveja.  Estava um calor tremendo.


O almoço já estava sendo servido.  Dessa vez, preferi fazer uma refeição de verdade e não ficar só beliscando.







Turistas alemães do transatlântico ficavam estarrecidos ao ver como o povo viajava.  Dava-me a sensação de que eles nos olhavam como se estivessem em um zoológico.  Uma situação compreensível, mas um tanto incômoda.Dá para se ver o nome do transatlântico atrás do barco, AIDA.  Disseram-me que ele havia saído da Espanha, passado pela África, América do Norte, Caribe e agora estava viajando de Belém a Manaus e depois retornaria.




Quitandinhaa flutuanteCarregador de malas









Esse rapazinho que me levou até ao centro para sacar dinheiro.  Obrigada mesmo.  Acabei me esquecendo de seu nome.  Obrigada!
Os alemães do transatlântico estavam para lá e para cá.  Um deles foi mais ousado e entrou no nosso barco, que para ele, de certo, era a jaula! 


Esse é o senhor Edivaldo, trabalhador portuário que se juntou a mim para almoçar. Quando lhe perguntei seu nome, disse-me que estava nas suas costas.  Obrigada pela companhia, senhor Edivaldo. 


O transatlântico também estava aguardando para ir para Manaus.























Começávamos a nos afastar de Santarém. Levarei comigo lindas lembranças. Obrigada a todos.















  


Esse barco é para viagens curtas, talvez de 12 horas!



 E assim vamos indo, cruzando por barcos que vão e barcos que vêm, nesse rio sem começo nem fim.









































































































































E aí fui passear pelo barco. Achei interessante as crianças como sempre encontram um cantinho para brincar.


















Aline e Vitória brincaram a viagem inteira.  Parabéns meninas!  Dedico essa música a vocês.










Fui até ao bar para escrever meu diário.  Lamento muito não haver levado meu som.  Ficava cansativo escutar música da qual não sou muito fã.
Aprendi a lição para uma próxima viagem.






No bar conheci a Ivonete, seu marido Dadison e seu filho lindo, o Darlison. Eles são da comunidade São Francisco Buraqué no  Pará. 


Ainda não acabei de escutar as tantas histórias da comunidade, da selva, que eles têm para contar.  Já estão brincando comigo ao me imitar quando eles me contam alguma coisa que acho interessante e digo: "É mesmo?" 


Contaram-me que os bichos, em geral, não atacam, a não ser que sejam atacados.  Disseram-me, inclusive, que é preferível passar na frente de uma cobra do que atrás dela, pois aí se sente ameaçada e dá o bote.  Não imaginaria isso nunca.


Ouvi também histórias de aranhas gigantes e de suas várias espécies, dos escorpiões, dos diferentes nomes de cobras, dos macacos e de como os bichos choram quando perdem seus filhotes.  


Aprendi também que as sucuris atacam a presa se ela estiver parada. Já os jacarés, atacam se a presa se movimentar.  Cheguei a conclusão de que não tem para onde correr! rs






Aí  está a Ivonete.  Obrigada pela companhia.  Adorei vocês e suas histórias!












Darlison, o futuro doutor.  Tenho certeza de que você realizará o seu sonho, viu? Estarei sempre torcendo por você.


Ele tem apenas 8 anos, mas é muito inteligente.  Escuta minhas histórias, também, atentamente. Disse-lhe que um dia ainda vamos nos encontrar em São Paulo.








Eles moram a duas horas de Santarém, eum uma comunidade onde residem 76 famílias.   


A Ivonete é muito corajosa.  Disse-me que adora estar na Mata, adora caçar, mas que nunca mataria um macaco, pois eles são quase iguais aos humanos.  Acredito que a maioria é.


Disseram-me também que apesar da dura vida que levam, amam a Selva e que inclusive, o Darlison pede para voltar para casa logo quando se ausentam por muito tempo.


Passei a tarde fotografando a viagem.  Pena que não tenha habilidade com minha câmera.  Valeu a intenção do meu grande amigo Cliff.  Ele me deu essa máquina de presente para que eu pudesse registrar minha viagem com mais precisão.  Não deu ainda, Cliff, mas muito obrigada mesmo.  Prometo que minha próxima viagem para lá, não lhe decepcione.  Vão aí umas fotos que consegui tirar.




















































































































Tirei a foto de um rapaz que se olhava no espelho e depois ele colou em mim.  Queria saber por qual razão eu havia tirado sua foto de frente ao espelho.  Disse-lhe que havia achado arte no cotidiano do barco.  Ele ficou meio sem me entender, mas aí ficou meu amigo.  Ofereceu-se  para comprar meu jantar.  Depois tentou me seduzir.  Já havia tomado algumas cervejas e ficou entusiasmado.  Dedicou até uma música gospel para mim quando estávamos no espaço livre no topo do barco.










Aí estão as lembranças.  Foram bons momentos esses.  A noite estava estrelada.  Estava fresco e fizemos um semi-círculo para conversar.  Foi aí que conheci a Bel, também da mesma comunidade da Ivonete.  


Momentos que guardarei para sempre.  Obrigada a todos!








Obrigada pela música.




Eli, cheio de histórias também.




Bel, eta mulher forte que enfrenta o garimpo! Obrigada pelas histórias fascinantes. Vocês, certamente coloriram minha viagem.  "É mesmo?" rs  




Família linda!




  Bel disse-me que adora trabalhar no garimpo vendendo roupas e artigos das necessidades do povo de lá.  Contou-me-me que uma vez estava em uma canoa com mais dois pescadores e a canoa virou.  Foi pega num redemoinho e sugada para baixo.  Achou que iria morrer, quando de repente subiu como se expulsa da água e a canoa do outro pescador foi também arrastada pelo redemoinho, mas para sua sorte, foi ao lado dela e ele pôde resgatá-la.  O outro pescador conseguiu nadar para a margem e ser resgatado ali.  Ela conseguiu se salvar por um milagre.  Ainda anda com um pouco de trauma, pois aconteceu há pouco tempo.


Falou-me que apesar de tudo, o garimpo é um vício. Fiquei imaginando essa terra de ninguém.  Ela me contava com tantos detalhes sobre os cabarés, as brigas, as mortes que já havia presenciado...parecia que estava assistindo a um filme.


Ivonete fez questão de me comprar duas cervejas.  Que gentileza...Obrigada mesmo. Senti muito carinho em seu gesto.


Mais tarde veio o rapaz do espelho, espelho meu, que havia me pago o jantar.  Porém, jantei e senti-me mal.  Havia me esquecido de que não costumo jantar.


Essas fotos acima foram tiradas após o jantar.  Enquanto escutava atentamente e concentrada as histórias da Bel, senti as mãos de alguém na minha cintura.  Dei um grito, um berro.  Ela justamente estava me contando do ataque de uma sucuri.  Era o Eli.  Ficou sem graça e foi dormir.  Desculpe-me Eli por minha reação, mas não imaginava nunca que alguém fosse fazer uma brincadeira assim comigo.



Hoje de manhã senti que precisava conversar com ele e ele estava precisando esmo.  Contou-me um longo problema seu de família.  Resumindo:  ele se separou no domingo, comprou a passagem na terça e pegou o barco na terça mesmo.  Comecei a entender o porquê de eu estar nesse barco.  Conversamos por umas duas horas durante a manhã.  Dei-lhe muitos conselhos.  Disse-lhe que nada era para sempre mesmo.  Como já passei por duas separações, pude ajudá-lo a não se sentir tão mal, creio.





 Acredito que minhas palavras tenha lhe ajudado muito.  Citei Xico Xavier, também: "Não podemos mudar o início, mas podemos mudar o fim."  


Também disse-lhe para dar um tempo de seis meses na casa de seu irmão, já que me disse que ele está em Boa Vista, Roraima.  Ofereci, então, lhe emprestar o dinheiro de sua passagem até lá, caso ele necessitasse.


Hoje, dia 5 de janeiro de 2012, são 6:17h e estamos chegando em Manaus, graças a Deus.  Foi uma vitória, graças a Deus.  


Tentei ligar para o senhor Joaquim Bezerra, pois havia ficado de me pegar no porto às 5:30 junto ao barco Golfinhos.  Tentei e tentei, mas só dava caixa postal.  Bem, não tinha como entrar em contato com ele.  Como já havia feito o que fez, isto é, de não ter feito a reserva na pousada em Alter do Chão, não podia esperar por muito.  Aliás, não queria vê-lo. Queria sim ir até à agência Backpackers e pedir o esclarecimento deles lá.


Conversei mais com o Eli.  Havia me contado a história de seu irmão e como havia id recomeçar a vida em Boa Vista que me comoveu.  Fazia alguns anos que ele não falava com seu irmão e conseguiu o contato com ele através de sua prima.  Tudo durante a viagem de barco.  Seu irmão acabava de contatá-lo.  Fiquei super feliz por ele.  Ainda não sei se vou a Boa Vista com ele.  Queria tanto conhecer o estado de Roraima, atravessar uma reserva indígena.  Porém, será um bate e volta muito rápido para uma viagem de 1500 km ida e volta. Nada poderá dar errado.  Minha viagem para São Paulo é no dia 7 de janeiro, depois de amanhã.











Jarlison e sua noiva, Simone, foram dois anjos que me acompanharam nessa minha viagem de volta à Manaus.  Obrigada pela excelente companhia.  Sorte pra vocês. Um forte abraço.


Ontem, à noite, antes de ir dormir.








    Outra paisagem linda...




Passeando pelo barco...








Eles tentam educar o povo, mas ainda há muito descaso pelos rios.  Como nos grandes centros, as pessoas ainda atiram lixo no Rio.  Isso me doeu na alma. 

Um rapazinho que quando notou que eu me preocupava em não jogar lixo no chão ou no Rio, começou a me provocar e jogar latinhas de cerveja Rio abaixo.  Bem, não me contive.  Aproximei-me dele e disse-lhe que se ele quisesse se jogar no Rio também, eu não me importaria, mas que um dia ele sentiria a vingança da Natureza.  Ele não falou nada, mas parou de me provocar.  Não jogou mais nada no Rio e se foi para outro lugar depois.  Foi triste. 


Aí conheci a pequena Jennifer de Santarém, Pará.  Ficamos amigas.  Não desgrudava mais de mim, tão lindinha. Contou-me que estava viajando com sua avó, mas que na realidade era sua mãe, pois sua mãe verdadeira lhe havia dado para sua vó criá-la.  Quando conheci sua avó, Helena, ela me disse que quando ela morresse, pois já estava com 71 anos, a Jennifer iria procurar por mim em São Paulo.  Não contive minhas lágrimas. 




Vitória, Jennifer e Aline. Vocês são muito lindinhas.  Obrigada por suas alminhas puras que coloriram o barco. Fazia tempo que não conhecia crianças.


 A pequena Jennifer e eu.  Pena que tenha ficado escura essa foto. Quem sabe um dia ainda nos encontremos. Quero voltar à Santarém e a Alter do Chão.
 Darlison e sua mãe Ivonete. 







 Meus vizinhos de rede jantando. Há pessoas que preferem comer onde estão.  Apenas compram suas refeições no refeitório.




Ao menos eles concordaram em alguma coisa!




Esse já aproveita seu próprio carro para fazer sua propaganda de shows.  Não sei como consegue dirigir.





Olha o violão aí pendurado.  Achei isso maravilhoso.
Para algumas famílias acaba saindo caro pagar uma refeição para cada um, então, eles comem a comida que trouxeram de casa e que às vezes já está um pouco passada.  Esse menininho não me parecia muito entusiasmado para comer sua comidinha! Pobrecito.





Continuávamos a viagem ao lado do transatlântico.  A tempestade nos ameaçando, mas não foi na intensidade que se desenhou.


















Confiram a Asa Branca de Luis Gonzaga tocada por essa banda escocesa.  Ficou muito lindo.  Parabéns MacUmba! Quem me apresentou a essa banda foi o meu amigo Graham, um escocês apaixonado por samba e ritmos brasileiros.  Obrigada Gray!






































Antes de ir dormir, fui conhecer a avó da Jeniffer, dona Helena.  Aí está ela.  Estava ajudando a Jeniffer escrever seu endereço para que eu possa mandar uma carinha para ela.






Já está amanhecendo e já estamos para chegar.  As redes já estão quase todas desarmadas.  O pessoal está feliz.  Desde cedo, o pessoal está se arrumando, tomando banho.  Aqui uma coisa interessante é que todos estão sempre limpinhos.  Tomam banho de manhã cedo e à tarde ou à noitinha.  Você não tem como não acorradar, pois aquele perfume forte acaba tomando conta do ar. Melhor que alarme!


Agora disseram que faltam 15 minutos para chegar.  Será?






















Jarlison desarmando minha rede Vitória.


V de Vitória!! 




Jeniffer e Vitória.  Boa sorte, meninas e obrigada pela companhia.








Chegamos à Manaus, finalmente!

Bel já estava pronta para partir. Boa sorte, amiga e obrigada pela companhia e histórias que me tocaram muito. 










Simone aguardando o Jarlison. Boa sorte pra vocês.


Cena triste esse lixo. Dói-me na alma profundamente. A quem culpamos? O que podemos fazer de imediato?  Acho que essa pergunta que trará soluções.

Chegamos e demoramos muito para sair do barco.  O Eli não sabia se ia direto numa van que um rapaz anunciava dentro do barco passagens para Boa Vista por R$ 60,00.  Queria que eu fosse com ele, já que eu havia lhe dito que muito queria conhecer o estado de Roraima, passar por reservas indígenas.  Bem, não será desta vez.  Não teria tempo hábil.São 786 km, mas a viagem leva 12 horas.  Seria arriscar muito para ir tão longe tomar um cafezinho e retornar mais 12 horas. 

A Jeniffer me  abraçou e me disse que não havia tomado o café da manhã.  Como havia lhe pago o jantar na noite anterior, acredito que contava que eu lhe oferecesse o café hoje.  Porém , lhe disse que não havia mais tempo. Achava que já havia encerrado o café.  A pobrezinha se foi.

Passaram uns dez minutos e o barco começou a andar novamente, pois precisava dar lugar para o transatlântico que acabara de chegar.  Decidi tirar uma foto de uma lancha que se aproximava de nosso barco.  Foi quando avistei a Jeniffer ali dentro.  A princípio pensei que ela e sua avó haviam tomado essa lancha para ir para alguma comunidade ali próximo, mas percebi que estava chorando e sua avó não estava ali com ela. Comecei a lhe chamar e o comandante perguntou-me se eu era a mãe dela.  Aí fiquei sem entender nada por alguns minutos.  Foram minutos de desespero de todos que estavam no barco também. Onde estava a vó da Jeniffer?  E por quê ela estava com toda a sua bagagem naquela lancha?

Esse lixo que dói na alma.




A Ponte do Rio Negro à distância.





O Transatlântico para o qual nosso barco teve que dar o lugar.






Jeniffer na lancha que estava a  procura de sua avó.

O que aconteceu foi o seguinte. Sua avó havia deixado a menina Jeniffer com toda a bagagem  no cais e voltou ao barco para buscar o saco de  farinha que ela trazia.  Foi justamente nesse momento que o barco partiu para dar lugar ao transatlântico.  No seu desespero de ter se separado da neta , a senhora conseguiu pular do barco, de volta para o cais quando este se aproximou de uma mureta mais adiante.  Ninguém havia visto isso, mas ela chegou arriscar sua vida, já que o barco estava em movimento.  Ao ver a menina chorando com a bagagem, uma lancha levou a menina atrás do barco, porém, sua avó não estava mais lá.  Eles deixaram-na no barco e foram em busca de sua avó que nessas alturas já estava desesperada.  Pobre mulher. 

Abracei a Jeniffer e confortei-lhe.  Consegui comprar seu café da manhã, café com leite e pão com manteiga, mas estava ótimo! Disse a ela que não se preocupasse, pois não sairia do seu lado até que encontrassem sua avó.

Finalmente a encontraram.  Que alegria para todos nós.  Ficaram tão emocionadas as duas que não conseguiam falar.  Foi um momento tocante.





O capitão do San Marino.  Obrigada, comandante. Parabéns! Ele me disse que o trabalho se torna difícil, pois não dispõem de todos os recursos tecnológicos. Tem que conhecer o Rio.


 Jeniffer, sua avó Helena e o Eli.

 Adios San Marino!
Até um dia Helena e Jeniffer.  Cuidem-se!


Eu e o Eli nos despedimos da Jeniffer e de sua avó Helena.  Ela me disse que esperaria minha cartinha.  Terei que escrever também para o Darlison, o futuro doutor.  Crianças lindas que terei sempre em meu coração.  Já fizeram valer a viagem. Obrigada crianças.

Foi uma saga até sairmos do porto.  Fomos na recepção para  os turistas estrangeiros e ali conversei com uns policiais sobre a minha história e como proceder.  Disseram-me que conheciam esse tal de Cláudio e que tinha fama de trambiqueiro, porém os turistas preferiam não prestar queixa, pois não dispunham de tempo. Estou reportando isso e vou seguir com os trâmites legais para evitar que venham a enganar outras pessoas. A tal da empresa do senhor Joaquim Bezerra se chama info.watours.com  Ele faz sua publicidade em vários países, como pude constatar. Bem, é um mal estar, mas estou fazendo a minha parte.



Pessoal muito prestativo.  Obrigada pelas informações sobre a cidade.





Consegui ser ressarcida do valor da passagem do Golfinhos.  Achava que não fosse possível, mas o senhor da agência me devolveu o dinheiro.  Que bom!  Pude ajudar o Ely comprar sua passagem para Boa Vista.

Pegamos um táxi e fomos para o hotel Safari.  Decidi ficar lá mesmo e não incomodar a Syene.  

Fomos almoçar no restaurante ao lado da agência chamado Delícias de Sabores.  Bem, o ´preço é bom pela comidinha caseira. 

Como "sobremesa" fomos à agência Backpackers, e quem estava lá era o Cláudio, o gerente, o tal que havia me assegurado que havia feito a minha reserva na pousada Tia Maria em Alter do Chão.  Quando lhe perguntei a respeito, ele me disse que havia feito sim pela internet.  Quando lhe pedir para ver, ele fechou o laptop e disse que agora estava desligado, mas que o senhor Joaquim que havia feito e blá, blá, blá. Falou ainda para concluir, que preferia tarabalhar com gringos, pois não reclamavam de nada.  Disse-lhe que por estarem em um país estrangeiro, fica difícil reclamar.  É caso de justiça.  

Bem, ao menos uma coisa boa fez.  Ligou para o senhor Joaquim que assegurou-me que farei o passeio do nado com os botos amanhã.  Vamos ver...

O Eli e eu fizemos um pequeno passeio pelo centro.  Fomos à igreja de São João, ao lado do teatro Amazonas, visitamos uma galeria e loja de artesanato local, também em frente ao teatro. E, por último, fizemos a visita guiada ao lindo teatro Amazonas.

































Levei o Eli de táxi à rodoviária, o mesmo que nos trouxe até o hotel Safari.  Foi o tempo perfeito.  O "tour" acabou às 14:45 e o táxi passou no hotel às 15:00h.  Fui depois ao museu do Índio e de volta ao hotel. Gostei do museu.  Vi umas coisas interessantes.  Pena que não tinha tempo para ler mais sobre as diferentes tribos que habitam a Amazônia.  Sou descendente indígena e gostaria muito de  saber mais de minha origem,  mas quando perguntava ao meu pai sobre seus descendentes, ele tampouco sabia.  Que pena...


Lá na rodoviária comprei a passagem do Eli para Boa Vista e dei-lhe mais R$ 60,00 para sua viagem.  Disse-me que me mandaria o dinheiro de volta na mesma semana.  Cheguei até a acreditar, pois emprestei-lhe dinheiro que precisaria quando chegasse em Santos.  Porém, foi por uma boa causa. Despedimo-nos e lhe disse que um dia iria até Boa Vista. Desejei-lhe o melhor.  Lembrei-me que ele havia me dito que quando havia saído de casa e decidido se separar, que havia ido a um cabaret e uma garota de lá havia lhe encorajado a ir embora e que ela o havia ajudado muito.  Contou-me isso emocionado, dizendo que jamais imaginaria que em um cabaret encontraria uma pessoa tão doce e capaz de lhe dar tanta força.  Lembrei-me de uma aluna que tive no ano passado que era garota de programa e que era uma pessoa muito sábia.  Cheguei até a pensar se não seria ela, mas isso seria impossível.  Ele me disse que achava estranho eu ter aconselhado-o o mesmo. Disse-lhe que não havia nada de estranho e que sim havia conhecido pessoas que sabiam o que era reinventar vidas.  Boa sorte Eli, e que tenha sucesso nessa sua nova etapa.


Decidi sair um pouquinho do centro para jantar e conhecer algo diferente  Estou  em um lugar chamado Eldorado, cheio de barzinhos. Aqui foi o único  lugar onde vi duas, sim, duas baratas passarem ao lado do meu pé.  Bem, era de se esperar, pois lugar onde há comida e bebida, não tem como elas não aparecerem. Tive que ir lá para dentro.  Lá fiquei mais tranquila.

Minha história com baratas me remete há muito tempo atrás.  Acho que isso é cultural também.  Bem, tive um episódio quase que cômico por causa de uma barata quando estava na universidade em Iowa, nos Estados Unidos.  Após ter nadado por quase uma hora, fui buscar minha toalha no local onde entregavam toalhas e lá a mocinha me disse que alguém havia visto uma barata no vestuário.  Bem, antes de começar a tomar banho, como eu era a única pessoa ali, decidi procurar pela barata.  O que acabei encontrando foi um homem que segurava sua respiração atrás de uma parede.  Resultado: perguntei-lhe o que fazia ali e ele sem saber explicar saiu correndo e eu atrás dele de maiô, pisando na pouca neve que ainda havia no chão.  Chamei os seguranças, mas ninguém conseguiu pegá-lo.  Voltei ao ginásio, tomei meu banho e agradeci à barata que não encontrei! Ali descobri que elas gostam de calor e umidade, mas que conseguem sobreviver até a frio de 20 negativos.





Hoje, 7 de janeiro, 23:00 h, estou no aeroporto de Manaus. Agora já cheguei em São Paulo, Guarulhos.  Nem sei como consegui chegar aqui.  Meu penúltimo passeio em Manaus foi bastante interessante, porém, quase que trágico no final.

Aí começava um passeio que poderia ter sido trágico. O tempo já apontava que tinha chuva por vir.


Fomos em 7 com o seu Laércio numa pequena lancha com capacidade para 8 pessoas.  Estávamos em 9, pois havia um ajudante do senhor Laércio, o Márcio.  Saímos às 8:30 da manhã do porto rumo a um lugar onde faríamos um banho com os botos no Rio Negro. A princípio, pensei que não fosse capaz de entrar naquela água cheia de mistérios, mas fui atrás da Pricila, uma japonesinha de São Paulo que estava visitando sua irmã que está morando em Manaus já há alguns anos.  Sua irmã foi a segunda a entrar, e eu tida como a mais medrosa do grupo, entrei na água em terceiro.  Aí foi a vez de u paranaense e de um baiano de Salvador, o Wilson, que havia vindo a Manaus para prestar um concurso, gente muito boa.   

Os botos são cor de rosa, lindos. 






Logo no início do passeio, o barco começou a falhar. Andava um pouquinho e parava. Foi quando olhei para o Wilson que estava sentado ao meu lado e  demonstrei preocupação. Estávamos a uns 3 km de cada margem do Rio.  Acho que ele também estava preocupado, mas não se manifestou.  Eu decidi perguntar ao senhor Laércio o que estava ocasionando aquilo. Foi quando o Márcio respondeu dizendo que ele havia se esquecido de algo da bomba da gasolina.  Achei sério, mas quem era eu para avaliar algum problema técnico de motores de barco.  Como ninguém se manifestou, apostei na sorte.  E, por sorte mesmo, o barco parou de falhar.

Depois do emocionante banho com os botos, fomos a uma reserva indígena.  Foi o melhor do passeio. O cacique nos recebeu com muito carinho, humildade e respeito. Imaginei o quão difícil seria saudar a todos aqueles turistas todos os dias.  Pedi desculpas silenciosamente.







Esse é o Wilson, o que se tornou mi hermano, my brother. Obrigada por tudo, Wilson.  

 

Aí está o Cacique nos esperando.  o.




O cacique nos saudou, nos abençou e depois fizeram uma apresentação de dança e de instrumentos.  Foi tocante.  No final, eles nos convidaram para participar da dança e cada um convidava um de nós para dançar com eles.  Fui a última a ser convidada.  Já estava achando que não havia sobrado ninguém para mim e um dos líderes pegou-me pela mão e acompanhei-o.  Foi muito lindo mesmo.












Esse video peguei do youtube, pois não consegui fazer o upload do meu, mas é a mesma tribo.

Após essa visita encantada, fomos almoçar na Pousada Jacaré.  É um lugar bastante interessante.  Se estivesse acompanhada, pensaria em ficar lá, ao menos por uma noite.

O almoço estava maravilhoso, porém, quando me servi de uma das saladas senti um cheiro de passado, mas comi assim mesmo.  Totalmente errado o que fiz.  Eu que havia me cuidado tanto no barco para não comer salada, empolguei-me com a salada que estava linda e algumas horas depois, comecei a passar mal, infecção intestinal.  Estou pagando por isso até agora.  /Acho que quando chegar em Santos, terei que ir a um hospital.

Na saída da pousada fomos pegos por uma chuva forte, o que me deixou apreensiva pois o barco teve  que ficar parado por uns quinze minutos perto de um igarapé, o lugar dos jacarés.  Os rapazes ficaram brincando.  Só a mulher de um paranaense que ficou bastante estressada dizendo que queria ir embora dali.

Finalmente conseguimos sair dali.

O passeio que havia combinado com o senhor Joaquim Bezerra terminava ali, porém, o Wilson me disse para aproveitar e ficar com o grupo para fazer o passeio do encontro das águas. Bem, perguntei ao senhor Laércio se teria que pagar a mais e ele disse que não haveria necessidade.  Assim, estava facilitando a situação dele também.  Não teria que me levar até o porto antes de prosseguir com o segundo passeio.

Como não tinha nada para fazer no hotel, resolvi ficar com o grupo. ERREI!
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O senhor Laércio falou com o senhor Joaquim que iríamos chegar mais tarde. O combinado havia sido de que quando o meu passeio terminasse o senhor Laércio ligaria para o senhor Joaquim ir me pegar de carro no porto.

Bem, não conversei mais com o senhor Joaquim após esse passeio.

Fomos então, com o passar da chuva, para o encontro das águas, mas antes pediram ao sr. Laércio passar próximo ao hotel Jungle,  hotel de luxo no meio da Selva, inclusive, hoje, considerado superior ao antigo Aruanã, o primeiro hotel de selva.
Saindo da Aldeia.





Deixando a Aldeia.





Aqui , já na Pousada do Jacaré.






 Esse é o barquinho que nos levou a todos esses lugares.

Hotel Jungle, no meio da Selva.






Foto tirada de dentro do barquinho, onde tivemos que parar para esperar a chuva passar.


Bem, após nosso almoço, fomos ver alguns bichos de estimação de uma família, um bichinho preguiça, um jacarzinho e uma sucuri.  Todos ficam numa casinha, antes da casa principal, uma espécie de um quintal. Fiquei boba de ver como a sucuri convive com as crianças ali. Bem, não é muito diferente dos animais de estimação que as pessoas mantém em apartamentos.

Tirei umas fotos com eles.


















Perguntei à menininha como esses bichos estavam ali e disse-me que seu pai que os havia apanhado no mato.  Sabemos que não está certo, mas nem sei o que pensar.  Nós turistas acabamos incentivando esse tipo de comportamento.  Queremos ver e os animais pagam caro por isso. Estou postando essas fotos, porém, não voltaria a fazê-lo.

Após essa visita, fomos a um restaurante flutuante que ao passar por uma ponte estilo ao dos filmes de Tarzan, avistavam-se Vitórias Régias.  Não quis me arriscar nessa ponte, pois já estava um pouco traumatizada com pontes! rs



Essa tempestade que nos esperava e quase que não chegávamos ao porto de Manaus.


Essa ponte, confesso, era linda e estava cheia de macaquinhos que ansiosos esperam pelos turistas para lhes darem bananas. Segurei um pedaço de papel higiênico laranja para que se aproximassem para eu tirar uma foto com eles.

Quando senhor Laércio avistou a densa nuvem negra que nos esperava, disse que não iria dar para voltar naquele momento e depois mudou de ideia. Deveríamos ter ficado ali e não termos nos arriscado tanto.

Bem, entramos no barquinho rumo ao inferno.  Foi uma hora de sufoco.  Senhor Laércio para completar, decidiu rebocar um barco chamado Grace Kelly!  Esse Grace Kelly bateu no nosso barco duas vezes.  Pedimos a ele para que retornasse, pois ainda estávamos bem perto do restaurante flutuante.  Ele nos ignorou e nsistiu que dava para ir.  A água da chuva descia com tanta fúria que parecia que se juntava à água do Rio Negro e nós ali no meio. E fomos assim, sem enxergar um palmo.  Eu fui a primeira a colocar o colete, depois foi um a um.  A japonesinha corajosa foi a segunda e assim todos sucessivamente.  Eu orava e orava.  Pedi a São Jorge, Nossa Senhora Aparecida, aos meus pais que não me levassem assim.  Não tenho medo de morrer, mas morrer devorada por um bicho no meio de uma água escura, à noite, era realmente um pesadelo. Quando o senhor Laércio colocou seu colete, comecei a chorar compulsivamente.  Lembrei-me do noticiário do Natal, que uma família toda havia naufragado no Rio Amazonas e apenas um menino havia se salvo.  Por que eles haviam morrido e nós não poderíamos também??

Não sei quanto tempo chorei, não sei quando parei. Só sei que mal conseguia acreditar quando chegamos e pudemos sair do barco e pisar em terra firme.  Havia um silêncio entre todos.  Lembro-me de ter me despedido do senhor Laércio e de alguém ter lhe perguntado se não havia ficado com medo.  Só respondeu assim:  "já passei por uma pior."

Hoje já é 11 de janeiro de 2012, seis dias após o passeio.  Estou em um bar em Santos chamado Australiano.   Estou aqui para decidir se farei minha "festinha" de aniversário aqui.  Esse será uma comemoração pra lá de especial.  Sinto que nasci de novo!

Bem, quando chegamos no hall do porto, parecia que havíamos chegado no inferno.  Havia tanta gente ali bebendo, já que era sexta-feira e o som da música estava no último volume.  Pedi, então ao Wilson, o baiano de Salvador que também sobreviveu, que me beliscasse, para me certificar de que não havia morrido e ido para o inferno!  Saímos com o grupo, mas fomos nos dispersando. De repente não estavam mais ali.

Como se não bastasse, não havia táxis que quisessem nos levar, já que chovia torrencialmente.  Depois de dez incansáveis minutos, desistimos.  Foi aí que ocorreu um apagão geral na cidade.  Não se via mais nada. Parei um ônibus e o Wilson e eu, o único passageiro que ainda restava ao meu lado, perguntamos se ele passava próximo ao Teatro Amazonas. Agradeço ao Universo por ter sido o Wilson, pois tinha uma energia super positiva apesar de também estar abatido.   Descemos a cinco quadras dali. Ouvia vozes: "desçam aqui, aqui, aqui é melhor."  Porém, devido ao apagão, os sinais não estavam funcionando e aí ficou quase que impossível para atravessar a larga avenida dividida por um canteiro. Isso quer dizer, que foi uma travessia de duas etapas.  Ufa!   Fomos acenando até conseguir.  Depois tivemos que caminhar nessa rua escura sem enxergar um metro na nossa frente.  Parecia mesmo filme de terror.  Era uma água barrenta que já formava pequenas ondas.

Chegamos finalmente ao meu Hotel Safari.  Agradeci muito ao Wilson e ali nos despedimos.  Ele me disse que do meu hotel conseguiria se localizar.

Ele me escreveu antes de ontem e passei-lhe o link do "blook" Rosane Santos pela Amazônia.  Bem, fiquei sabendo que chegou bem.

A luz chegou assim que entrei no quarto com uma vela na mão.  Uma coisa boa tinha que acontecer! Aliás, perdão, foi a segunda coisa boa.  Sobrevivemos à tempestade no  Rio Negro. Nâo morremos devorados  por bichos!! Agradeço ao Universo todos os dias.

A Zaine e a Syene haviam me ligado.  Estava tão mal que não conseguia ligar para ninguém.  A Zaine ligou novamente e me disse que me pegaria no hotel na manhã seguinte.  Santa Zaine e seu marido, o Oswaldo, vieram me pegar cedo no hotel e cuidaram de mim o tempo todo.  Já estava com infecção intestinal aguda.  Havia tido febre durante a noite também, mas já estava me sentindo melhor. Então, resolvi ir com eles.

Fomos à uma praia atravessando a ponte do Rio Negro.  Disse-lhes que se fosse um passeio de barco não iria.  Passamos na casa de sua comadre num município ao lado de Manaus.

Havia fotografado várias vezes a ponte do Parque Suítes.  Havia passado embaixo dela quando do passeio de barco do dia anterior.  Foi especial tê-la atravessado finalmente.

Atravessando a ponte Rio Negro.


A caminho da praia do Açutuba.



Nem parece praia de água doce.



Bem, passamos o dia nessa praia. Armaram uma rede para mim, uma maneira excelente de se recuperar.  Fiquei entre a rede e esse banheiro do bar que fazia o banheiro do barco parecer limpinho.  O que a necessidade não faz! Procurei não pensar ou mesmo procurar baratas.  Só vi aranhas e um besouro, mas com esses já estava familiarizada!

A tempestade ameaçou e dali fomos embora.


Ali fiquei deitada na rede.


Zaine e sua comadre e a tempestade se formando por detrás.




Não choveu como se esperava.




Chegamos em Manaus à noite, por volta das 19 horas.  A Zaine fez soro caseiro para mim a cada meia hora e foi assim que embarquei para São Paulo. Ela e seu marido, o Oswaldo, me levaram ao aeroporto.  Estava com uma alegria imensa de estar retornando para casa. VOLVER!!

Ali no portão de embarque conheci a Lindsay Moya.  Parecia que estava me aguardando.  Tive aquela sensação de que já a conhecia.  Foi estranho, pois já começamos a conversar de cara e ela me disse que era missionária da Igreja Metodista e que havia passado 10 dias viajando pelo Amazonas prestando auxílio médico/odontológico às comunidades dos ribeirinhos.  Ela, porém, havia ido como voluntária para ajudar no que fosse preciso e brincar com as crianças. Contei-lhe também sobre a minha experiência e assim já tivemos uma conexão.

Encontramo-nos após o vôo e foi ótimo, pois ela cuidou da minha bagagem quando tive que usar o toilette.  Incrivelmente, pude viajar tranquila.  Não sei como, pois na casa da Zaine, não conseguia ficar por mais de 20 minutos sem ter que usar o banheiro.  Na realidade, havia pensado que não poderia embarcar.  E o mais incrível, foi que viajei ao lado da janela que para qualquer emergência, teria que passar por duas mulheres um tanto grandes.  O agravante também er um menininho que se eu o acordasse, ele acordaria todos os passageiros da aeronave. Havia sido uma luta para ele adormecer.  Ele berrava e berrava dizendo que o avião ia cair.  Imaginem!  Bem, o avião não caiu!! Graças a Deus, ao Universo!

  Lindsay Moya e eu ao chegar em Guarulhos, São Paulo.  Que alegria estar de volta!






















Quando chegamos para retirar as malas, aconteceu algo trágico e cômico.  Deixei a Lindsay cuidando de minha bagagem e corri para o primeiro banheiro que podia avistar.  Havia uma fila de mulheres do lado de fora e duas mulheres no banheiro para cadeirantes. Então decidi ir no banheiro especial dos homens, mas quando avistei um rapaz vindo na mesma direção.  Ele corria com sua cadeira e eu correndo para chegar antes dele.  Foi o tempo de eu trancar a porta e ele forçar a porta insistentemente. Fiquei morrendo de vergonha, mas não tinha nem condições de abrir a porta para me desculpar e explicar-lhe a minha situação.  Já estava soando frio.  Foi terrível.  Ele se cansou e desistiu.  Deve ter ido procurar outro banheiro e pensado que mulher mal educada. Lamento.Peço aqui minhas desculpas.

Despedi-me da Lindsay na porta do embarque para o Translitoral.  Ela ia pegar outro voo para Curitiba e outro ainda para Londrina.

Decidi esperar pelo ônibus da Translitoral no restaurante ali ao lado da porta.  Ali no restaurante, antes de ir me embora, avistei o Neguinho da Beija Flor, grande mestre do samba.  Ele estava meio que escondidinho. Tive que cumprimentá-lo.  Amo samba também.

Antes de pedir-lhe se eu poderia tirar uma foto com ele, aproximei-me cantarolando assim:  "Não deixe o samba morrer...não deixe o samba..."  Ele sorriu e agradeceu-me.  Contei-lhe que havia acabado de chegar de Manaus e ele me disse que iria para lá na semana seguinte.

Obrigada pela simpatia!



Não quis arriscar.  Pedi para tirar duas fotos idênticas, ou quase idênticas.






Hoje já é dia 12 de janeiro.  Segunda-feira, dia 16, será meu aniversário.  Espero poder comemorá-lo.  Terei que passar pela sexta-feira 13!! A tempestade aconteceu no dia 6 de janeiro.  Sinto que nasci de novo! Esse será um aniversário especial

Chego ao fim desse meu diário.  Obrigada a todos que me visitaram aqui.
Meu contato é rosanemasantos@gmail.com
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Estou no facebook também: Rosane Souza dos Santos

FIM